
Uma aranha com o desenho de um rosto sorridente no abdome foi descoberta nas montanhas de Uttarakhand, na Índia, no início deste ano. Batizada de Theridion himalayana, o aracnídeo repete o padrão que tornou famosa a aranha-carinha-feliz do Havaí, tida como exclusividade do arquipélago desde 1900.
O estudo foi publicado em 24 de abril na revista Evolutionary Systematics, assinado por Ashirwad Tripathy e Devi Priyadarshini, do Regional Museum of Natural History, em Bhubaneswar. A dupla de cientistas descobriu a espécie por acidente, já que não procurava aranhas, mas sim formigas.

"Fiquei paralisada de choque", contou Priyadarshini em nota da editora científica Pensoft, lembrando que conhecia a espécie havaiana desde o mestrado.
A escolha (do nome) homenageia a cordilheira do Himalaia, que abriga enorme diversidade biológica, já que esta foi a primeira espécie polimórfica registrada na região. Ashirwad Tripathy, cientista do Regional Museum of Natural History
Coletas posteriores reuniram 61 exemplares da aranha em três povoados diferentes, todos acima dos 2 mil metros de altitude. Os pesquisadores catalogaram 32 morfos (cores) agrupados em cinco categorias, com manchas vermelhas, pretas e brancas dispostas de maneiras diferentes.

Apesar de ser pouco comum na família Theridiidae, o polimorfismo aparece em machos e fêmeas da aranha-carinha-feliz-do-Himalaia. Os pesquisadores trabalham para descobrir de que serve o "sorriso" da aranha, com hipóteses que passam por confundir predadores, atrair parceiros e o auxílio na camuflagem.
Os desenhos ajudam os animais a sobreviver, mas por que foram parar justamente nas costas e qual função cumprem ao longo do ciclo de vida ainda precisa ser decifrado, indicando um mistério genético mais profundo. Devi Priyadarshini, cientista do Regional Museum of Natural History

O sequenciamento genético usou o marcador COI, uma espécie de código de barras de DNA. A divergência em relação à havaiana Theridion grallator ficou perto de 8,5%, o suficiente para separar as duas aranhas. Os desenhos, portanto, sugeriram a evolução convergente, quando linhagens sem parentesco próximo chegam a soluções parecidas.
Na mata, a T. himalayana constrói teia e fica pendurada de cabeça para baixo, hábito que divide com a prima havaiana e com a norte-americana Theridion californicum.
