
Pode parecer loucura, mas alguns homens fumam escorpiões mortos para se drogar em distritos rurais da Ásia. O hábito foi documentado pelo jornal Dawn em 2016 e acontece principalmente em Khyber Pakhtunkhwa, província árida e montanhosa do Paquistão, onde vivem algumas espécies com veneno potente.
O aracnídeo é capturado e morto, além de ser queimado no carvão em brasa ou na luz solar. Depois, os usuários trituram a cauda do animal e misturam o pó a tabaco ou haxixe dentro de um cigarro. Parte dos adictos prefere usar o chamado nacha, cachimbo pequeno produzido na região e feito para inalar drogas.

Sohbat Khan, de 74 anos, contou em entrevista que é praticante do ato desde os anos 1960. Segundo o fumante, o efeito se estende por cerca de dez horas, mas as primeiras seis horas são de sofrimento, já que o corpo reage mal à neurotoxina. Posteriormente, vem a euforia, quando estradas, veículos e casas parecem dançar diante dos olhos.
Médicos que atendem praticantes do hábito na rede pública de Peshawar relatam perda de memória recente e antiga, distúrbios de sono e de apetite, alucinações e delírio permanente. A inalação também agride o tecido pulmonar e pode paralisar a musculatura respiratória, levando o fumante à morte.

Fumar escorpião causa perda de memória de curto e longo prazo. A pessoa que desenvolve o vício no fumo do escorpião também apresenta graves distúrbios de sono e de apetite, passando a viver em um estado constante de delírio e alucinação profunda. Dr. Azaz Jamal, Oficial Médico do Khyber Teaching Hospital, ao jornal Dawn
A legislação antidrogas do Paquistão alcança substâncias vegetais e sintéticas, como ópio, heroína e metanfetamina, mas não menciona escorpiões. Sem enquadramento legal, agentes não conseguem autuar quem caça, guarda ou fuma o animal.

"O veneno do escorpião é substancialmente muito mais prejudicial para o cérebro humano quando é inalado do que outras drogas tradicionais." Dr. Azaz Jamal, Oficial Médico do Khyber Teaching Hospital, ao jornal Dawn
A descrição do "barato" vem apenas e somente de relatos de usuários, já que pesquisadores sabem pouco sobre o que ocorre quando o tecido e veneno do escorpião é inalado. Apesar das denúncias na mídia internacional, o escritório antidrogas da Organização das Nações Unidas (ONU) nunca investigou o caso.
