430 dos 440 Indivíduos foram encaminhados congelados para análises científicas da UFSB
Divulgação/Lecomar-UFSB
430 dos 440 Indivíduos foram encaminhados congelados para análises científicas da UFSB

Mais de 400 peixes-leão, espécie venenosa invasora, foram capturados desde a segunda quinzena de setembro no litoral de Porto Seguro (BA). O animal tem origem no Indo-Pacífico e ameaça a biodiversidade da região, incluindo pesca e turismo.

Para conter o avanço, a prefeitura de Porto Seguro (BA) iniciou um plano de contenção ainda em agosto, contando com pescadores locais, que recebem R$ 10 por exemplar capturado. Dos 440 coletados, 430 foram enviados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) para análises.

A presença da espécie também foi confirmada no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o que acelerou a implementação do Plano Municipal de Enfrentamento contra a bioinvasão. O primeiro avistamento aconteceu em junho.

Conforme informações divulgadas pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Lecomar) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que atua na contenção, a gravidade da presença da espécie tem relação com o comportamento voraz e adaptável que possui.

O peixe-leão não tem predadores naturais no Atlântico, podendo se reproduzir livremente enquanto ataca filhotes de outras espécies e crustáceos. Essa nova população invasora pode iniciar um desequilíbrio, que prejudicaria pesca e o turismo no estado.

Ainda, há risco de que a espécie se estenda por boa parte do litoral brasileiro, incluindo São Paulo, Paraná e norte de Santa Catarina, cobrindo toda Costa Leste brasileira praticamente.

A ação ocorre por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac) e conta com auxílio do Instituto Nautilus. A captura e o monitoramento constante são as principais estratégias de contenção.

Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente da Bahia (SEMA), a espécie já foi registrada em 10 municípios, do Litoral Norte ao Extremo Sul da Bahia. Avistamentos devem ser comunicados pela população em geral ao Governo, por meio de formulário da SEMA.

O animal possui espinhos venenosos que podem causar ferimentos e somente pessoas capacitadas atuam no manejo da espécie exótica invasora (EEI). A orientação é que seja colocado em recipiente resistente a furos e entregue à órgão ambiental ou de pesquisa (UFBA/UFSB).


Espécie é venenosa, mas pode ser consumida

Ainda de acordo com a SEMA, com o preparo adequado, a carne do peixe-leão pode ser consumida. O veneno está presente somente nos espinhos, que devem ser retirados cuidadosamente para o preparo.

É contraindicado o consumo da carne crua. Originário dos oceanos Índico e Pacífico, a espécie foi introduzida na Flórida, Estados Unidos, na década de 1980.

Desde então, avançou rapidamente pelo Caribe, onde se estabeleceu, até voltar a avançar posteriormente, quando alcançou o Brasil.

Com nome científico Pterois volitans, o peixe pode atingir 47 centímetros  e possui 18 espinhos venenosos. Ele é facilmente identificado devido às listras brancas e vermelhas, além de nadadeiras longas e abertas, diferente da maioria das espécies.

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