
Primavera com cara de verão escaldante, calor extremo e chances elevadas de anomalias térmicas. Esse é o cenário projetado para Goiás em novembro pelo Centro de Excelência em Estudos, Monitoramento e Previsões Ambientais do Cerrado (CEMPA-Cerrado). Sob influência do El Niño, Goiás tem probabilidade elevada de apresentar temperaturas acima da média histórica, além de chuvas
As projeções indicam que as chuvas podem continuar mal distribuídas, com intervalos secos entre episódios de maior instabilidade. Para o conjunto do trimestre de outubro a dezembro, predomina a tendência de volumes abaixo da média em grande parte do território goiano. Ainda assim, há possibilidade de tempestades e chuva com granizo.
Nesta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Crianças, Goiânia pode registrar temperatura máxima de 37°C, segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo). A previsão é de sol, variação de nebulosidade e possibilidade de pancadas de chuva, com volume estimado de 5 milímetros. A umidade relativa do ar deve variar entre 20% e 80%.
O calor pode ser ainda mais intenso em Porangatu, Araguapaz e Aruanã, onde os termômetros podem alcançar 40°C. Em Montes Claros de Goiás, a máxima prevista é de 39°C.

O avanço de uma frente fria pode favorecer tempestades com raios, rajadas de vento superiores a 60 km/h e eventual queda de granizo. O Cimehgo aponta risco potencial de tempestades em 104 municípios nesta segunda-feira, incluindo Goiânia.
Até quarta-feira (14), a previsão é de calor e pancadas de chuva irregulares em diferentes regiões do Estado. Entre quarta e quinta-feira (15), a passagem de uma frente fria pela Região Sudeste deve favorecer chuvas mais abrangentes em Goiás, com risco de tempestades e ventos superiores a 70 km/h.
Efeitos El Niño
As perspectivas para os próximos meses também são analisadas em uma nota informativa conjunta de cinco Centros de Excelência apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). O documento reúne avaliações sobre clima, recursos hídricos, agricultura, queimadas e saúde, com atenção aos possíveis impactos do El Niño em 2026 e 2027.
Participam do trabalho o CEMPA-Cerrado, o Centro de Excelência em Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra Cerrado), o Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Saúde (CETI-Saúde), o Centro de Excelência em Genética e Genômica (CEGGen) e o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre). As instituições estão sediadas na Universidade Federal de Goiás, na Universidade Estadual de Goiás, na Pontifícia Universidade Católica de Goiás e no Instituto Federal Goiano.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e provoca alterações na circulação atmosférica. Em Goiás, essas mudanças podem favorecer temperaturas mais altas, atraso na regularização das chuvas e veranicos, os períodos secos que ocorrem durante a estação chuvosa. A avaliação dos centros indica que o fenômeno pode persistir até o início de 2027.
Os pesquisadores ressaltam que os efeitos não serão necessariamente iguais em todas as regiões. Frentes frias e outros sistemas atmosféricos também interferem nas condições do tempo. Por isso, as projeções representam cenários de risco que precisam ser acompanhados, sem determinar que todos os impactos ocorrerão.
Na disponibilidade de água, a combinação de calor e precipitações irregulares pode prejudicar a recuperação de nascentes, aquíferos e reservatórios, além de reduzir as vazões dos rios. Na agricultura, um eventual atraso na consolidação das chuvas pode adiar a semeadura da soja e encurtar a janela de plantio do milho e do sorgo de segunda safra.
O tempo quente e a vegetação mais seca também favorecem a propagação de incêndios. Na saúde, as ondas de calor podem agravar problemas cardiovasculares, respiratórios e renais, enquanto a fumaça das queimadas amplia a exposição à poluição atmosférica.
As condições climáticas ainda podem influenciar a transmissão de arboviroses, como a dengue, embora fatores como urbanização, mobilidade, imunidade e circulação viral também sejam determinantes. A nota recomenda integrar o monitoramento climático à vigilância em saúde e preparar os serviços para responder aos períodos de maior risco.