
Chuvas fortes atingiram principalmente os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul entre sexta-feira (11) e esta segunda-feira (14). Os temporais deixaram mortos, desaparecidos, desalojados e desabrigados, além de causar alagamentos, inundações, enxurradas, deslizamentos, entre outros danos. Os temporais ocorreram durante o período em que o El Niño começa a ganhar força.
No Sudeste, o estado que mais sofre com as chuvas é São Paulo. Uma das áreas mais afetadas foi o Vale do Ribeira, onde o Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de 10 metros acima do nível normal. A elevação causou inundações em ruas, bairros e propriedades rurais. Em Eldorado (SP), 58 famílias ficaram desabrigadas. A região acumulou 160 milímetros de chuva em 72 horas.
Também foram registrados deslizamentos e alagamentos em outras cidades, como Juquitiba (SP), Capivari (SP), Registro (SP) e Iporanga (SP). Na manhã desta segunda-feira (14), o governo paulista informou que havia 19 abrigos em seis municípios, atendendo 152 famílias devido aos estragos das chuvas.
Na capital, um prédio de 12 andares desabou na Penha, na Zona Leste, na madrugada de sábado (12). O balanço divulgado nesta segunda-feira (14) aponta seis mortos e dois feridos.
Chuvas tomam conta do Sul
No Paraná, a Defesa Civil informou que 71 municípios foram atingidos. Mais de 21 mil pessoas foram afetadas, enquanto 2.128 ficaram desalojadas e 395 desabrigadas. Os temporais também deixaram três mortos e três desaparecidos, além de danificar 2.867 casas.
Os maiores impactos ocorreram no Vale do Ribeira, especialmente em Cerro Azul (PR), Adrianópolis (PR) e Rio Branco do Sul (PR). Houve deslizamentos, quedas de barreiras, erosões e danos em estradas.
Em Adrianópolis (PR), uma erosão destruiu parte da BR-476, interrompendo completamente o acesso pela rodovia. Já em Rio Branco do Sul (PR), duas pessoas desapareceram após serem levadas pela correnteza de um rio. Outra pessoa continuava desaparecida em Tunas (PR).
A chuva também elevou o nível dos rios. Em União da Vitória (PR), o Rio Iguaçu chegou a cerca de 6,3 metros.
Em Santa Catarina, a Defesa Civil registrou ocorrências em 37 municípios, com alagamentos, inundações, enxurradas, deslizamentos, quedas de árvores e danos em imóveis, veículos, estradas e pontes.
Sete municípios haviam decretado situação de emergência. Em Três Barras (SC), 35 residências foram atingidas, deixando 117 pessoas desabrigadas e 43 desalojadas.
Em Porto União (SC), a elevação do Rio Iguaçu fez o nível chegar a 6,22 metros nesta segunda-feira (14). Mais de 370 pessoas foram afetadas, e parte dos moradores precisou deixar as casas e buscar abrigo ou ficar na residência de parentes.
No Rio Grande do Sul, o Rio Uruguai ultrapassou a cota de inundação em São Borja (RS), na Fronteira Oeste, nesta segunda-feira (14). O nível passou de nove metros por volta das 05h.
Duas famílias deixaram suas casas e foram para imóveis de parentes. Dois estabelecimentos comerciais localizados na região da orla também precisaram ser fechados.
El Niño aumenta risco de chuva extrema
Segundo o terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), anos anteriores com episódios fortes do fenômeno apresentaram maior frequência de extremos de chuva na Região Sul durante setembro, outubro e novembro.
A análise indica aumento de 20% a 60% nos maiores volumes de chuva registrados em um único dia e também nos acumulados de cinco dias consecutivos em diferentes áreas da Região Sul. Também cresce o número de dias com mais de 50 milímetros de chuva, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
O Rio Grande do Sul apresenta, segundo o INPE, o sinal mais consistente de aumento dos extremos de precipitação. Em Santa Catarina, a tendência aparece em áreas como Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul.
No Paraná, o aumento é mais localizado, com destaque para o sudoeste, centro-sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral.