
Logo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negar a transferência imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro para o hospital DF Star, em Brasília, nesta terça-feira (6), a defesa do ex-presidente apresentou novos documentos, com laudo médico e uma lista de exames recomendados, após sua queda na cela da Superintendência da Polícia Federal (PF).
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Segundo descreveu a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente caiu da cama nesta madrugada e bateu a cabeça em um móvel.
O filho e ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) também foi às redes sociais dizer que encontrou Bolsonaro de manhã com um hematoma do rosto e os pés sangrando.
"Perguntei o que havia ocorrido e ele, nitidamente atordoado, mudou de assunto", disse.
Laudo da PF
Bolsonaro foi atendido, após a queda, por médicos da PF.
Segundo o relatório médico enviado pela PF a Moraes, Bolsonaro relatou que caiu da cama enquanto dormia; disse ter tido tontura ontem durante o dia e soluços à noite.
Ao examinar o ex-presidente, os médicos observaram que ele estava consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico, com motricidade e sensibilidade de membros preservadas. Mas com uma lesão superficial na face.
Os médicos da PF comunicaram a equipe médica de Bolsonaro sobre o quadro e elencaram algumas hipóteses de diagnósticos que podem ter causado a queda do ex-presidente.
Apontaram interação medicamentosa, crise epiléptica, adaptação ao uso de CPAP (hipoxemia) e processo inflamatório pós-operatório.Um pouco mais tarde, o ex-presidente também recebeu a equipe médica particular, que apontou Traumatismo Cranioencefálico Leve, com necessidade de exames.
Internação imediatada rejeitada
A defesa, então, solicitou a Moraes autorização para transferência imediata de Bolsonaro ao hospital DF Star para a realização de exames, o que foi negado.
Moraes disse que não havia necessidade de transferência, já que o laudo dos médicos da PF atestava ferimentos leves, e determinou que a defesa juntasse o laudo médico realizado pela Polícia Federal decorrente do atendimento de Bolsonaro e também que indicasse quais os exames que entende necessários para que se verifique a possibilidade de realização no sistema penitenciário.
Logo em seguida, os advogados levaram aos autos novo laudo emitido pelo médico Brasil Ramos Caiado, que faz parte da equipe particular que acompanha o ex-presidente.
Resposta da defesa
No documento, está descrito “quadro clínico compatível com traumatismo craniano, síncope noturna associada a queda, crise convulsiva a esclarecer, oscilação transitória de memória e lesão cortante em região temporal direita”.
Diante deste quadro, o médico de Bolsonaro recomenda, com urgência, exames de Tomografia Computadorizada de Crânio, Ressonância, Magnética de Crânio e Eletroencefalograma.
Os advogados ainda alegam que os exames “mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica” de Bolsonaro.
“Sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado — no Hospital DF Star, onde o paciente vem sendo acompanhado clinicamente —, com o objetivo de afastar risco concreto de agravamento do quadro e prevenir eventuais complicações neurológicas”, alega a defesa.
Nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro informou a entrega do documento e disse que o marido vai continuar em jejum, para a realização dos exames.
"Retornaremos à PF para acompanhar a petição, nos moldes exigidos pelo ministro Alexandre de Moraes, com o laudo dos peritos e os pedidos de exames... Seguimos aguardando a liberação, Jair ainda se encontra em jejum, em razão da realização dos exames", disse ela.
A decisão do ministro Alexandre Moraes sobre a realização dos exames no hospital está sendo aguardada.