Fim dos combustíveis fósseis era defendido pela presidência brasileira na COP30
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Fim dos combustíveis fósseis era defendido pela presidência brasileira na COP30

A COP30, sob Presidência brasileira, divulgou nesta sexta-feira (21) um novo texto sobre o pacote de decisões que deve orientar a conferência sem menções ao mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis. A proposta era amplamente defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acabou cedendo à pressão de países. A informação foi publicada com exclusividade pelo The Guardian.

Confira:  O que é o “mapa do caminho” proposto na COP30

Com a mudança prevista, mais de 30 países assinaram uma carta enviada ao governo brasileiro dizendo que não vão apoiar o texto final sem a medida para abandonar os combustíveis fósseis. As negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), em Belém.

Mapa do caminho

COP30 Brasil termina nesta sexta (21)
Agência GOV BR - Sérgio Moraes
COP30 Brasil termina nesta sexta (21)


O Brasil apresentou na  COP30 um “mapa do caminho” para a eliminação gradual de petróleo, gás natural e carvão, iniciativa já apoiada por cerca de 100 países. O plano defendido até então definia etapas e metas claras para a transição energética global, oferecendo um roteiro concreto que faltou na COP28.

Uma primeira versão do documento final, divulgada na terça (18), ainda mencionava a possibilidade de criar um roteiro para a “transição para longe dos combustíveis fósseis”. Na manhã desta sexta, a presidência do Brasil lançou um novo texto que retira qualquer referência ao tema.

Reações

A retirada do trecho do documento, assim como um roteiro para eliminar o desmatamento, foi criticado por nações como os da União Europeia. O jornal britânico The Guardian informou que a carta de rejeição é assinada pelas nações europeias Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Holanda e Espanha, e as da América do Sul, como Chile, Colômbia, Costa Rica e México.

Os países ameaçaram bloquear qualquer acordo que não incluísse o compromisso com o fim dos combustíveis fósseis, o que gerou um aumento de tensões na conferência.


“Não podemos apoiar um resultado que não inclua um roteiro para implementar uma transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis. Essa expectativa é compartilhada pela grande maioria das Partes, bem como pela ciência e pelas pessoas que acompanham de perto nosso trabalho. O mundo espera que esta Conferência das Partes demonstre continuidade e progresso após o Balanço Global. Qualquer coisa aquém disso seria inevitavelmente vista como um retrocesso", diz um trecho da carta obtido pelo jornal britânico.

Nicole Figueiredo, diretora-executiva do Instituto Internacional Arayara disse em entrevista ao iG que o sucesso da COP30 depende da descontinuidade dos combustíveis fósseis, e esse compromisso ter sido retirado do rascunho do acordo é "inaceitável e muito preocupante".

"A ciência já demonstrou que nos precisamos descontinuar nove mil e oitocentos concessões de exploração de petróleo para conter o aquecimento do planeta. 1,5 graus Celsius", destacou.

O Portal iG entrou em contato com a assessoria da 30ª Conferência do Clima para confirmar as informações e pedir um posicionamento sobre a carta. A reportagem será atualizada assim que tivermos retorno.

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