Dr. Jairinho e Monique Medeiros
Foto: Reprodução
Dr. Jairinho e Monique Medeiros

A defesa de Monique Medeiros da Costa e Silva, garantindo a inocência da professora no inquérito que apura a morte de seu filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos , afirma que a dinâmica do que aconteceu no apartamento 203 do bloco I do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, na madrugada de 8 de março, “foi diametralmente oposta ao que foi colocado”.

Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), oito dias depois do ocorrido, ela corroborou as informações dadas pelo namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), de que o casal encontrou o menino no chão com mãos e pés gelados e olhos revirados e acreditavam que ele poderia ter caído da cama.

De acordo com o advogado Hugo Novais, embora tenha sido alertada em tempo real pela babá Thayna de Oliveira Ferreira das agressões de Jairinho contra Henry , na tarde de 12 de fevereiro, ele afirma que “não havia nada de concreto que a fizesse tomar uma postura”. Na ocasião, a funcionária chegou a enviar vídeos e fotos do menino mancando e com hematomas nos braços e nas pernas . Em uma videochamada, a própria criança pediu que Monique fosse para casa, pois o tio estava “batendo” ou brigando”.

"Quando pegamos o caso, fizemos uma análise e chegamos à conclusão de que a única possibilidade de obter êxito era se a Monique falasse a verdade. É um caso que considerávamos difícil e injusto porque, para a defesa, a Monique é inocente. Ela chegou a desconfiar de agressões de Dr. Jairinho contra o filho, mas nunca havia flagrado nada. As questões foram muito espaçadas e não havia nada de concreto que a fizesse tomar uma postura. Devemos revelar o que aconteceu no apartamento quando encontraram Henry caído. A dinâmica foi diametralmente oposta ao que foi colocado", afirmou Hugo Novais.

O advogado cita a necessidade de Monique ser ouvida novamente na delegacia , como ocorreu com a babá, a empregada da família e com Debora Mello Saraiva, uma ex-namorada de Jairinho. As três acrescentaram e retificaram informações aos depoimentos prestados anteriormente:

"Tanto a babá quanto a ex-namorada afirmaram ter medo dele. Será que a única pessoa que não teve o depoimento influenciado por Jairinho foi Monique? É uma questão de raciocínio".

Na primeira versão apresentada ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP, a professora disse ter dado banho no filho por volta de 20h do dia 7 de março, e depois o colocado na cama de casal para dormir. Monique e Jairinho teriam ficado na sala, assistindo televisão. Até 1h50m, Henry teria levantado três vezes, sendo levado de volta ao quarto pela mãe. Ela relatou que foi para o quarto de hóspedes com o namorado de modo a continuar vendo uma série sem que o barulho incomodasse o filho. Logo após, Jairinho teria adormecido.

Por volta de 3h30, Monique disse ter levantado e chamado o vereador, que foi ao banheiro. Ao voltar ao quarto do casal, ela diz ter encontrado Henry caído no chão, com mãos e pés gelados, olhos revirados e sem responder ao seu chamado. Ela disse ter gritado por Jairinho, que foi imediatamente ao cômodo. Eles teriam se arrumado rapidamente e se dirigido para o Hospital Barra D’Or. No caminho, a professora diz ter feito uma respiração boca a boca na criança, depois de orientação do parlamentar. Ao chegar na unidade de saúde, ela contou ter gritado pedindo ajuda, tendo recebido atendimento de várias pessoas imediatamente.

Questionada se havia lido o laudo com a causa da morte de Henry, Monique afirmou acreditar que ele possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão. O laudo de perícia concluído por profissionais do Instituto Médico Legal e do Instituto Carlos Éboli afirma que o menino morreu entre 11h30 e 3h30, e que o casal saiu de casa somente às 4h09 para leva-lo ao Barra D’Or. As lesões descritas nos exames de necropsia apontam hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, além de equimoses, hematomas, edemas e contusões não compatíveis com um acidente doméstico .

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