
Cientistas descobriram que as condições do Oceano Pacífico podem ajudar a prever os episódios de El Niño e La Niña com até um ano de antecedência. A pesquisa, publicada nesta sexta-feira (23) na revista científica Science Advances.
O El Niño e a La Niña são fenômenos naturais que alteram a temperatura das águas do Oceano Pacífico, principalmente na região próxima à linha do Equador. Essas mudanças influenciam a circulação do ar na atmosfera e podem modificar os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo.
O El Niño acontece quando as águas dessa região ficam mais quentes do que o normal. Já a La Niña acontece quando há o resfriamento anormal dessas águas. Dependendo da região, os fenômenos podem favorecer secas, chuvas intensas e ondas de calor, entre outros.
Para chegar aos resultados, a equipe analisou mais de 7,5 mil previsões feitas por modelos climáticos de nove países. O objetivo era entender quais condições ajudam a antecipar as mudanças no oceano, mesmo muitos meses antes de elas acontecerem.
Os pesquisadores descobriram que as condições das águas no momento em que os cálculos são feitos podem ajudar a indicar o que acontecerá meses depois.
Sabemos há algum tempo que as condições iniciais afetam o desempenho das previsões dos modelos, mas nosso estudo realmente mostra como essas diferenças de desempenho podem ser grandes. Nandini Ramesh, uma das autoras do trabalho.
La Niña pode facilitar a previsão do El Niño
A equipe percebeu que os modelos tendem a acertar mais o momento em que o El Niño começará, quando a análise começa durante o La Niña. Em três dos nove modelos estudados, a mudança da La Niña para o El Niño foi prevista corretamente em mais de 70% dos casos, mesmo com um ano de antecedência.
O mesmo acontece para a previsão do La Niña. Se a análise começa em períodos de El Niño, o desempenho da previsão é superior à média histórica, alcançando até 74% de precisão.
As previsões são mais difíceis quando o Pacífico tem condições neutras, ou seja, quando não existem sinais claros do El Niño ou do La Niña. Isso significa que, se os modelos indicarem El Niño enquanto o planeta estiver passando por um La Niña, por exemplo, a previsão tem alto grau de certeza, mas, se alertarem para um El Niño durante um período neutro, a indicação deve ser tratada com cautela.
A diferença mostra que não basta considerar quanto tempo falta para um fenômeno acontecer. O estado do oceano, no momento em que a previsão é feita, também afeta a possibilidade de acertar o que acontecerá no futuro.
Descoberta pode melhorar os alertas climáticos
Prever esses fenômenos com mais antecedência pode dar às autoridades e às comunidades mais tempo para se preparar às consequências. Com alertas antecipados, é possível planejar medidas para reduzir os impactos de períodos de seca, chuvas fortes e outras mudanças no clima.
Apesar dos resultados promissores, a descoberta ainda não foi incorporada aos sistemas de previsão usados pelas agências responsáveis por acompanhar o clima. Portanto, ainda são necessários outros avanços para que os resultados sejam aplicados na prática em previsões feitas para o público.
Estamos ainda a alguns passos de aplicar nossas descobertas aos modelos usados na prática pelas agências de previsão, mas esses resultados são promissores para a comunicação de alertas antecipados sobre eventos futuros. Nandini Ramesh, uma das autoras do trabalho.