
O fenômeno El Niño está ganhando uma força sem precedentes causado por um evento climático atípico no Oceano Pacífico Equatorial. De acordo com análises da MetSul Meteorologia, a sequência incomum de rajadas de vento que sopram de Oeste para Leste, conhecidas como westerly wind bursts, vem enfraquecendo os ventos alísios regulares e empurrando grandes massas de água quente pela faixa equatorial em direção à América do Sul.
Esse deslocamento aciona o avanço de ondas oceânicas de Kelvin, que aprofundam o salto térmico e impedem que as águas mais frias subam para a superfície, alimentando continuamente o aquecimento da atmosfera e o próprio El Niño.
O impacto desse processo se traduz em dados numéricos expressivos observados ao longo deste período. O pulso de vento registrado recentemente se destaca como o mais forte de todo o evento até agora, marcando o 13º episódio observado no ano na região do Pacífico. Com exceção do mês de fevereiro, esses ventos ocorreram em praticamente todos os meses e vêm se concentrando cada vez mais a Leste, afetando diretamente a área central do monitoramento climático, a região Niño 3.4.
Nas profundezas do oceano, o aquecimento subsuperficial atingiu níveis impressionantes, registrando anomalias de até 12 °C acima da média histórica e marcas térmicas brutas da água que alcançaram 33,4 °C abaixo da superfície.
Com a força do calor nas profundezas do oceano e o sopro constante dos ventos, as estimativas apontam para um cenário histórico nas semanas seguintes. A projeção indica que o desvio da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 poderá se aproximar de 4 °C acima do normal entre o final de novembro e o começo de dezembro.
Essa combinação atípica entre ventos intensos e aquecimento marinho recorde consolida uma situação em que o El Niño será elevado a patamares extremos.