Ministro Nunes Marques
Luiz Roberto/TSE
Ministro Nunes Marques

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou novamente a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, utilizado para divulgar  conteúdos da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desta vez, a decisão estabelece que a ferramenta só poderá voltar a funcionar após o cumprimento de  exigências relacionadas ao registro eleitoral.

Administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal reúne mais de 3 milhões de seguidores e se tornou alvo de uma disputa judicial entre as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais.

A nova determinação foi divulgada nesta terça-feira (13) e prevê que o endereço do canal seja comunicado formalmente à Justiça Eleitoral como meio oficial da campanha, com comprovação do registro no processo. 

O que Nunes Marques determinou

Para permitir o funcionamento do canal, o ministro estabeleceu condições que precisam ser cumpridas pela campanha. Entre elas, está a comunicação formal do endereço da ferramenta ao TSE, para que ela seja identificada como um canal oficial de divulgação eleitoral.

A medida também prevê o acompanhamento das publicações. Segundo as informações divulgadas, o mesmo procedimento deverá ser aplicado a canais públicos associados à campanha de Flávio Bolsonaro.

A Meta, empresa responsável pelo WhatsApp e pelo Facebook, também deverá monitorar as publicações durante o período eleitoral e retirar imediatamente conteúdos que reproduzam materiais já proibidos pelo tribunal.

Canal já havia sido suspenso e liberado

O caso ganhou força no domingo (11), quando  Nunes Marques determinou a suspensão do “Exército do Lula” após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A alegação era de que o canal divulgava conteúdos desinformativos contra o adversário.

Na ocasião, o presidente do TSE ordenou que o WhatsApp interrompesse as publicações e impedisse a entrada de novos seguidores.

Horas depois, porém, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral e relator do caso, derrubou a decisão e  determinou a retomada do funcionamento da ferramenta.

Cueva considerou insuficientes as provas apresentadas para justificar uma restrição tão ampla e encaminhou o caso para análise do plenário do TSE.

Relatório do TSE não encontrou publicações falsas

Outro ponto importante da controvérsia é um relatório técnico produzido a pedido de Nunes Marques. Divulgado na segunda-feira (12), o documento informou que a  equipe técnica do tribunal não identificou, no período analisado, publicações com as informações falsas apontadas pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A análise considerou conteúdos publicados entre 2 e 11 de outubro. O relatório, no entanto, apontou que parte das mensagens anteriores havia sido apagada, o que impediu a reconstituição integral do histórico do canal.

A equipe técnica também chamou a atenção para o alcance das mensagens, o volume de compartilhamentos e a possibilidade de mobilização coordenada de seguidores.

Lula criticou decisão anterior

A primeira suspensão provocou reação do presidente Lula, que  criticou a medida e afirmou que a Justiça Eleitoral não deveria favorecer nenhum dos lados da disputa.

O canal é utilizado para compartilhar vídeos, áudios, mensagens e orientações destinadas aos apoiadores do petista. O crescimento da ferramenta durante o segundo turno ampliou sua importância na estratégia digital da campanha.

A nova decisão de Nunes Marques acrescenta exigências para o funcionamento do canal em meio à divergência entre ministros do TSE. O caso segue ligado à discussão sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização de conteúdos políticos e à necessidade de garantir condições equilibradas para as duas campanhas.

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