Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do STF
Divulgação/ Master e STF
Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do STF

A Polícia Federal identificou 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro  ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas semanas que antecederam a prisão do empresário e a liquidação do Banco Master. O conteúdo consta de um  relatório de 218 páginas que será analisado pela Corte nesta terça-feira (15).

Segundo o documento da PF, Vorcaro procurou Moraes em busca de aconselhamento e apoio diante das medidas que poderiam atingir o banco e o próprio banqueiro. As mensagens também mostram questionamentos sobre a possibilidade de deixar o país e pedidos para tentar retardar ou impedir ações das autoridades.

O relatório foi elaborado por determinação do ministro André Mendonça  e poderá levar o STF a decidir se autoriza uma apuração sobre os fatos descritos pela Polícia Federal.

Mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro

A PF analisou mensagens enviadas por Vorcaro a um contato que estava salvo em seu telefone como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. No entanto, o relatório não apresenta eventuais respostas do ministro.

Isso ocorre porque os investigadores tiveram acesso apenas ao aparelho do banqueiro e recuperaram as mensagens que partiram dele. De acordo com a PF, Vorcaro escrevia os textos no aplicativo de notas do celular e depois enviava capturas de tela pelo WhatsApp, usando o recurso de visualização única.

A troca registrada no relatório começou em 12 de novembro de 2025, poucos dias antes da prisão do banqueiro.

Vorcaro falou em “gratidão” a Moraes

Em uma das primeiras mensagens identificadas, Vorcaro sugeriu um encontro com Moraes em Brasília. Dois dias depois, confirmou que chegaria à capital para conversar com o ministro.

Na noite de 14 de novembro, após o encontro, o banqueiro voltou a enviar uma mensagem ao magistrado. No texto, afirmou que os dois estavam “juntos desde sempre” e declarou ter “gratidão” pela atuação de Moraes.

Vorcaro também mencionou familiares, funcionários, parceiros e amigos ao agradecer o ministro.

A conversa ocorreu poucos dias antes de uma sequência de acontecimentos que culminaria na prisão do banqueiro e na liquidação do Banco Master.

Banqueiro questionou se deveria deixar o país

Nas mensagens seguintes, Vorcaro demonstrou preocupação com medidas que poderiam ser tomadas contra ele e contra o banco.

Em 15 de novembro, segundo o relatório, ele perguntou a Moraes se seria possível fazer algo diante da situação e questionou se deveria estar fora do Brasil na segunda-feira.

O banqueiro também perguntou se seria possível reverter as medidas por meio de outras autoridades e citou o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Naquele período, Vorcaro negociava uma operação envolvendo o Banco Master e investidores dos Emirados Árabes Unidos. Nas mensagens, ele argumentava que uma intervenção naquele momento poderia prejudicar a tentativa de concluir a negociação.

Pedido para adiar ação da Polícia Federal

Em outra conversa, Vorcaro pediu a Moraes que tentasse falar com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Segundo o relatório, o banqueiro queria que uma eventual ação fosse adiada por alguns dias. Ele argumentou que, com um feriado próximo, o atraso poderia evitar que o banco entrasse em colapso.

Na sequência, perguntou ao ministro se existia alguma possibilidade de a medida ocorrer somente na manhã seguinte.

As mensagens, de acordo com a PF, mostram que Vorcaro acompanhava de perto as movimentações das autoridades e buscava alternativas para evitar ou retardar as medidas contra ele e o Banco Master.

Últimas mensagens antes da prisão

Em 17 de novembro, data em que foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo operações financeiras, Vorcaro enviou novas mensagens a Moraes.

O banqueiro relatou que havia tentado alternativas para “salvar” a situação e disse que anunciaria parte de uma transação. Depois, perguntou se havia alguma novidade e se tinha sido possível “bloquear” a ação.

Apesar dos pedidos relatados pela PF, Vorcaro acabou preso naquele mesmo dia.

Também em 17 de novembro, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master.


O que o STF vai analisar

O relatório entregue pela Polícia Federal reúne as mensagens e outros elementos que serão avaliados pelos ministros do Supremo. A  sessão desta terça-feira deve discutir o conteúdo do documento e a possibilidade de abertura de uma investigação sobre os fatos apontados.

A existência das mensagens, por si só, não significa que as suspeitas descritas pela PF já tenham sido comprovadas judicialmente. Eventuais responsabilidades ainda dependem da análise das autoridades competentes e do andamento das investigações.

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