
O desabamento de um prédio em construção sobre uma casa deixou três pessoas mortas na Penha, na Zona Leste de São Paulo. O Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de um homem durante a noite de sábado (12), elevando o número de vítimas fatais.
As equipes mantiveram as buscas durante a madrugada deste domingo (13). Uma criança e duas mulheres continuam desaparecidas.
Ao todo, os bombeiros trabalham com a possibilidade de que oito pessoas tenham sido atingidas pela estrutura. Cinco já foram localizadas: três morreram e duas ficaram feridas.
Entre as vítimas está uma mulher grávida. Uma segunda mulher também foi retirada dos escombros sem vida.
Duas pessoas foram resgatadas
Uma menina de 7 anos e um homem de aproximadamente 30 anos foram encontrados com vida. Eles apresentavam ferimentos leves, como contusões e escoriações, e foram encaminhados ao Pronto-Socorro do Tatuapé.
Durante a madrugada, cerca de 70 bombeiros, 22 viaturas e um cão de busca e salvamento permaneciam mobilizados na ocorrência.
As equipes utilizam equipamentos e máquinas para retirar partes maiores da estrutura e abrir novos acessos aos pontos onde ainda podem estar as vítimas.
O prédio, de 12 andares, desabou por volta das 2h de sábado, na Rua Tequici, atingindo uma residência vizinha.

Obra já tinha histórico de irregularidades
A construção já havia sido fiscalizada pela Prefeitura de São Paulo e chegou a ser alvo de uma ação judicial.
Segundo a administração municipal, o responsável pelo imóvel havia solicitado um alvará em 2019, mas o pedido foi negado. Depois de fiscalizações da Subprefeitura Penha, multas e uma interdição, a Prefeitura entrou na Justiça, em 2021, pedindo a demolição de uma construção irregular existente no terreno.
Uma das multas aplicadas chegou a R$ 119 mil. Na ocasião, a Justiça concedeu uma liminar determinando a paralisação das obras.
Em 2022, entretanto, um novo projeto foi apresentado. No ano seguinte, em agosto de 2023, a Prefeitura emitiu um Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria feita em fevereiro de 2024 registrou que a demolição havia sido realizada. Depois disso, o processo judicial foi encerrado.
Prefeitura apura possível falha em vistoria
Após o desabamento, a Prefeitura abriu uma investigação na Controladoria Geral do Município (CGM) para verificar os procedimentos de fiscalização relacionados à obra.
De acordo com as informações preliminares da administração municipal, a demolição exigida para a construção do novo prédio não teria sido realizada, apesar de uma vistoria ter registrado que a exigência havia sido cumprida.
A servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias. Segundo a Prefeitura, o objetivo é evitar uma possível interferência na apuração.
A Polícia Civil também investiga o caso.
Três casas foram interditadas
A Defesa Civil vistoriou a região após o acidente e determinou a interdição de três casas localizadas no mesmo terreno vizinho ao prédio.
Equipes das Defesas Civis municipal e estadual, além da Subprefeitura, acompanham a ocorrência e dão suporte aos trabalhos no local.

As causas do desabamento ainda não foram esclarecidas. Apesar de estar chovendo no momento do acidente, a Defesa Civil informou que não é possível atribuir o desabamento somente à chuva.
Construtora diz que investiga o caso
A New Home Construtora informou, em nota, que abriu uma apuração interna para tentar esclarecer o que provocou o desabamento.
A empresa afirmou que ainda não há elementos suficientes para determinar a causa do acidente e disse que também será analisada a movimentação de terra realizada em um terreno vizinho à obra.
A construtora declarou ainda que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser identificada e que está prestando apoio às famílias atingidas.