André Mendonça, Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
Carlos Moura/SCO/STF + Divulgação/ Master e STF
André Mendonça, Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes

Uma apuração para averiguar a conduta da Polícia Federal (PF) foi aberta formalmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O procedimento formal é sobre a produção de um  relatório solicitado pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o ministro Alexandre de Moraes .

O presidente e ministro do STF, Edson Fachin , determinou diretamente a ação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que atendeu a manifestação. O documento da PF usado por Mendonça aponta uma suposta relação entre Moraes e Daniel Vorcaro , ex-controlador do Banco Master que está preso preventivamente desde março de 2026.

Determinação da Presidência do STF

Fachin cobrou do Ministério Público Federal esclarecimentos sobre as acusações. A mesma ordem foi direcionada a outros órgãos envolvidos após o conteúdo do decisão de Mendonça, que foi baseada em relatório e provas da levantadas pela PF, vir a público após a derrubada do sigilo pelo próprio ministro.

Presidente do STF Edson Fachin assume o caso ante a crise no STF
Nelson Jr./SCO/STF
Presidente do STF Edson Fachin assume o caso ante a crise no STF


O relatório da Polícia Federal expôs  registros e mensagens que revelam uma suposta relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Morais. Atribuindo ainda encontros entre os dois.

Resposta da PGR

Informo a Vossa Excelência que, na forma do despacho que encaminho, determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, resultado será, em tempo adequado, noticiado à Corte. Procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado no relatório da PF


Em resposta enviada ao STF, a PGR destaca que não foi comunicada previamente sobre a ação que determinou a ação da PF . Segundo Paulo Gonet, o órgão acabou não exercendo seu papel de controle externo da atividade policial devido a falta de comunicação.

No trâmite analisado, não foi dado espaço à manifestação da Pocuradoria-Geral da República. Ao revés, a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação. Paulo Gonet, PGR


Um dos questionamentos à PF pela PGR é de “quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”.

Paulo Gonet, procurador-geral da República
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Paulo Gonet, procurador-geral da República


O procurador ressaltou ainda em sua manifestação, que investigações desse tipo exigem etapas específicas e que a forma que foi feita não teve validade jurídica já que não teve a participação institucional do MP. Com o procedimento aberto, a PGR vai averiguar se houve uma ordem ou interferência externa que venha a comprometer o conteúdo do relatório.


Presidente do STF assume o caso

O caso levou a alterações na estrutura interna do Supremo Tribunal Federal. Em últimas decisões do presidente da Corte, Fachin retirou a análise do inquérito sobre as fake news - aberto há oito anos - instituindo ação independente, e assumiu pessoalmente a relatoria do caso.

Fachin assumiu publicamente a gravidade dos fatos e que a Corte vai responder de forma firme e serena, pautada exclusivamente nas leis e regimento do  Poder Judiciário e que não vai adotar atalhos processuais.

Ao mesmo tempo,  Alexandre de Moraes manifestou ao tribunal, apontando indícios sobre a condução das investigações em que ele figura. As investigações oficiais estão em curso e tem prazos estabelecidos para que os magistrados e os órgãos envolvidos se manifestem com justificativas e documentos comprobatórios legais.

Nesta sexta-feira (4) o ministro Edson Fachin determinou prazo de cinco dias para que todos associados ao caso se manifestem sobre as acusações.

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