
A revelação das mensagens de Daniel Vorcaro sobre as conexões do banqueiro com Alexandre de Moraes movimentaram, na terça-feira (1º), as placas tectônicas das eleições de 2026.
Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um presente de André Mendonça com o levantamento do sigilo das conversas. Indicado ao posto por Jair Bolsonaro, Mendonça é o relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
A bomba espalhou tantos destroços que soterrou a grande notícia da manhã, revelada pela revista “piauí”, sobre um outro repasse de Vorcaro à produção de “Dark Horse”.
Até agora já foram revelados valores equivalentes a R$ 65 milhões que saíram do bolso do banqueiro para financiar a produção. Há quem acredite que a benfeitoria e a amizade entre ele e o Zero Um era mesmo sincera e desinteressada.
O mais estranho da história toda é que a parcela, de US$ 1,6 milhão, antes de chegar à produtora responsável pelo filme, saiu do Brasil e passeou pelos Estados Unidos, onde fica a sede da Havengate Development Fund, o fundo norte-americano que administrava a grana. Por quê? Não se sabe.
O que se sabe é que o fundo é controlado por um aliado de Eduardo Bolsonaro.
Com base em dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a revista mostrou que a relação de compadrio financeiro entre Flávio e Vorcaro continuou por mais tempo do que o senador admite.
Em outros tempos, a suspeita seria um golpe fatal para os planos de um candidato à Presidência que se nega a prestar esclarecimentos dos fatos.
Mas estes são tempos estranhos, e eles permitem que um ministro do Supremo se encontre, revise contratos advocatícios com um investigado, e seja acionado quando a polícia bate à porta do sócio da esposa.
Quem conhece a história de Flávio sabe do que ele fez no verão passado e como este currículo pesa numa campanha como essa. O problema é quem julga.
Se o caso Master fosse julgado apenas por quem jamais se encontrou com o banqueiro criminoso, talvez só restasse Carmen Lúcia e Edson Fachin para trabalhar na Corte.
Nem André Mendonça, que teve um encontro secreto com Vorcaro revelado pelo repórter Paulo Motoryn, do ICL Notícias, se salvaria.
Mendonça é relator também das investigações sobre “Dark Horse” no Supremo, e ficam cada vez mais nítidos os pesos e medidas que ele tem usado na condução de cada caso.
Assim como Moraes, Mendonça não deveria alimentar suspeitas com o que faz nos bastidores, sob risco de contaminar a própria atuação e a própria Corte – esta que Moraes ajudou a salvar com a condenação de quem apedrejou e mandou apedrejar as sedes dos Três Poderes.
O mínimo que o ex-ministro de Bolsonaro deveria fazer era levantar o sigilo também das investigações sobre o filme. E deixar os eleitores saberem quanto tempo e quanto custou a relação entre Vorcaro e os filhos do ex-presidente.
As relações do mesmo banqueiro com Moraes agora são públicas. E deixaram cada vez mais difícil defender a permanência do ministro na Corte.