
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã nesta segunda-feira (3) ao afirmar que o país precisa escolher entre um acordo ou uma “rendição total”. Em publicação na rede social Truth Social, o republicano acusou a liderança iraniana de agir de forma contraditória nas negociações e voltou a dizer que Teerã nunca desenvolverá uma arma nuclear.
Na mensagem, Trump afirmou que autoridades iranianas pedem reuniões e iniciam conversas com os Estados Unidos, mas depois negam publicamente que qualquer negociação esteja acontecendo.
“Eles pedem uma reunião — alguns diriam que imploram. As conversas começam, com outras já programadas para um futuro próximo, e então dizem, aberta e orgulhosamente, que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo tratado e que estão lidando apenas com ‘Omã’”, escreveu.
A referência é ao país do Oriente Médio que tradicionalmente atua como mediador entre Washington e Teerã. Omã mantém relações diplomáticas com os dois governos e, há anos, serve de anfitrião para negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã em momentos de maior tensão.
O presidente americano também voltou a comentar a situação no Estreito de Ormuz. Segundo Trump, a passagem marítima está “completamente” sob controle da Marinha dos Estados Unidos e do que chamou de um “bloqueio” americano.
Na publicação, ele afirmou ainda que nenhuma mercadoria chegará ao Irã sem autorização dos Estados Unidos e que essa situação permanecerá até que um acordo seja firmado ou ocorra uma “rendição total” do país.
Ao concluir a mensagem, Trump reforçou uma das principais posições de seu governo sobre o programa nuclear iraniano.
“É muito simples: o Irã nunca terá uma arma nuclear”, escreveu.
Entenda a tensão entre EUA e Irã
A rivalidade entre Estados Unidos e Irã se intensificou nas últimas décadas por causa do programa nuclear iraniano, da influência de Teerã sobre grupos aliados no Oriente Médio e da disputa pela influência estratégica na região. Washington acusa o governo iraniano de tentar desenvolver capacidade para produzir armas nucleares, enquanto Teerã sustenta que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos.
Outro foco permanente de tensão é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. A via é considerada uma das mais importantes do comércio mundial de petróleo, uma vez que cerca de 20% do petróleo consumido no planeta passa pela região. Por isso, qualquer ameaça à navegação no local pode provocar alta nos preços da energia e afetar a economia global.

Nas últimas semanas, Ormuz voltou ao centro da disputa entre os dois países. Em sua publicação, Trump afirmou que a passagem está sob controle da Marinha americana e que nenhuma mercadoria chega ao Irã sem autorização dos Estados Unidos. O governo iraniano, por sua vez, considera o estreito uma área estratégica para sua segurança e exerce influência militar na região.
As declarações de Trump ocorrem em meio ao impasse sobre uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã. Enquanto o presidente americano afirma que as conversas continuam, autoridades iranianas têm negado publicamente a existência de tratativas diretas entre os dois governos, mantendo a incerteza sobre um eventual acordo para reduzir as tensões no Oriente Médio.