
A saída da Arteris das concessões da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR) e da Fernão Dias (BR-381/MG/SP) representa uma das maiores mudanças na operação da companhia nos últimos anos. Dados do Relatório Anual de 2025, divulgado pela própria empresa, mostram que as duas rodovias responderam por 376,5 milhões de veículos equivalentes, o que corresponde a 47,05% de todo o tráfego administrado pelo grupo.
Esse dado foi apresentado inicialmente pelo Valor Econômico e confirmado pelo iG com base nas informações públicas do relatório operacional da Arteris.
O cálculo considera o indicador de veículos equivalentes, principal métrica operacional utilizada pelas concessionárias de rodovias. O índice leva em conta o número de eixos pagantes de carros, ônibus e caminhões, permitindo medir com mais precisão o fluxo nas estradas e a arrecadação com pedágios.
A mudança ocorre após processos distintos de reestruturação das concessões. No caso da Régis Bittencourt, a operação será transferida para a EPR Participações, vencedora do leilão promovido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que administrará a BR-116 entre São Paulo e Paraná pelos próximos 15 anos.
Já na Fernão Dias, a ANTT aprovou neste ano a transferência do controle da concessionária para a Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A., empresa que passou a comandar a rodovia como parte da modernização do contrato da BR-381 entre Minas Gerais e São Paulo.
Quase metade do tráfego deixa o portfólio
Segundo o relatório da companhia, o tráfego total administrado pela Arteris em 2025 chegou a 800,3 milhões de veículos equivalentes, um crescimento de 3,4% em relação ao ano anterior.
Desse total, as rodovias federais concentraram 635,7 milhões de veículos equivalentes, enquanto as concessões estaduais em São Paulo responderam por 164,5 milhões.
Confira o movimento registrado por cada concessão em 2025:
Concessões federais
- Fernão Dias: 194,1 milhões de veículos equivalentes;
- Régis Bittencourt: 182,5 milhões;
- Litoral Sul: 168,5 milhões;
- Fluminense: 52,4 milhões;
- Planalto Sul: 38,3 milhões.
Concessões estaduais
- ViaPaulista: 85,4 milhões;
- Intervias: 79,2 milhões.
Somadas, apenas Fernão Dias e Régis Bittencourt registraram 376,5 milhões de veículos equivalentes. Dividido pelo total de 800,3 milhões, o resultado mostra que as duas concessões representam 47,05% de todo o tráfego administrado pela Arteris, o que evidencia o peso estratégico desses ativos para a empresa.
Empresa destaca legado de investimentos
Na nota divulgada ao iG a Arteris afirmou que deixará um "legado robusto" de investimentos na rodovia.
Segundo a concessionária, foram aplicados mais de R$ 8,9 bilhões em obras, ampliações e melhorias desde o início da concessão, em 2008. A empresa afirma que os investimentos contribuíram para uma redução de 48% no número de fatalidades e de 7,32% no total de acidentes registrados entre 2009 e 2025.
A companhia também informou que atuará em estreita colaboração com o poder concedente e com as novas operadoras para garantir uma transição responsável e a continuidade dos serviços essenciais aos usuários.
Conforme previsto no edital do processo competitivo, a Arteris receberá indenização correspondente ao saldo dos investimentos ainda não amortizados dos contratos encerrados.
A empresa acrescentou que seguirá focada no fortalecimento dos ativos que permanecem sob sua administração e na busca por novas oportunidades de concessões rodoviárias.
Tráfego é impulsionado pelo transporte de cargas
O relatório mostra ainda que a operação da Arteris continua fortemente dependente do transporte rodoviário de cargas.
Em 2025, 71,3% do tráfego registrado nas rodovias administradas pela empresa foi composto por veículos pesados, totalizando 570,4 milhões de veículos equivalentes. Já os veículos leves responderam por 28,7%, com 229,9 milhões.
Segundo a companhia, esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo escoamento da produção do agronegócio — como soja, milho, café e cana-de-açúcar —, pela atividade industrial, pela movimentação portuária e pelos efeitos da cobrança de eixo suspenso carregado implementada ao longo de 2024.
Empresa aposta nas concessões restantes
Apesar da perda das duas concessões mais relevantes em volume de tráfego, a Arteris afirma que seguirá responsável pela administração de mais de 2,2 mil quilômetros de rodovias nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.
A companhia destaca ainda as recentes otimizações contratuais da Arteris Fluminense, com extensão até 2048, e da Arteris Intervias, até 2039, além da concessão da ViaPaulista, vigente até 2047.
Na área financeira, a Arteris informou ter encerrado o primeiro trimestre de 2026 com R$ 3,44 bilhões em caixa e a captação de R$ 1,5 bilhão em debêntures no início do ano. Segundo a empresa, a posição financeira é suficiente para sustentar o atual ciclo de investimentos e avaliar novas oportunidades de concessões.
Com a saída da Régis Bittencourt e da Fernão Dias, a Arteris deixa de operar suas duas concessões de maior movimentação. Enquanto a BR-116 passará a ser administrada pela EPR Participações, a BR-381 já está sob controle da Motiva Infraestrutura de Mobilidade, o que encerra um ciclo em que as duas rodovias concentravam praticamente metade de todo o tráfego administrado pela companhia.