Síria cometeu crimes contra a humanidade, diz organização

Human Rights Watch pede que Liga Árabe suspenda o país pela repressão à oposição na cidade de Homs

iG São Paulo |

As forças de segurança do governo sírio cometeram crimes contra a humanidade ao reprimir a oposição contra o presidente Bashar al-Assad na província de Homs, disse nesta sexta-feira um relatório da organização Human Rights Watch.

AP
Reprodução de vídeo amador transmitido pelo canal Sham News nesta sexta mostra tropas do governo arrastando um corpo em Damasco, capital da Síria

A entidade fez um chamado aos delegados da Liga Árabe, que se reunirão no sábado, para que suspendam a Síria da organização e também pediu que a ONU imponha sanções aos responsáveis e encaminhe a situação do país ao Tribunal Penal Internacional.

"Os abusos de natureza sistemática contra os civis em Homs por parte das forças do governo sírio, incluindo tortura e matanças ilegais, constituem crimes contra a humanidade", afirmou o grupo em um comunicado que acompanha o relatório.

A Human Rights Watch afirma que as forças de segurança da Síria deixaram pelo menos 104 mortos na cidade desde 2 de novembro, data em que o governo sírio concordou com um plano da Liga Árabe destinado a pôr fim à violência e dar início ao diálogo entre o governo e a oposição.

Na terça-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a repressão aos protestos antiregime na Síria deixaram pelo menos 3,5 mil civis mortos desde que a onda de manifestações começou, há oito meses.

No último balanço, divulgado em 14 de outubro, a ONU estimava a morte de 3 mil civis.

Nesta sexta-feira, dia em que acontecem os maiores protestos depois das orações, pelo menos dez manifestantes foram mortos, sendo seis deles na cidade de Homs, segundo ativistas. No dia anterior, um dos mais sangrentos desde que foi assinado o acordo com a Liga Árabe, cerca de 40 foram mortos, incluindo civis, soldados e uma menina de oito anos.

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, disse que mais de 60 civis foram mortos pelas forças de segurança da Síria desde que o governo do presidente Bashar Al-Assad assinou, na semana passada, um acordo com a Liga Árabe no qual se comprometia a acabar com a violência.

De acordo com a ONU, os números são baseados em “fontes críveis” que estão no território sírio. Shamdasani acrescentou que a organização está “profundamente preocupada” com a violência, já que o governo continua usando tanques e armas para atacar algumas áreas.

Com Reuters e AP

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