Kerry acusa Assad de preparar ação com dias de antecedência e questiona riscos de não agir sobre conflito

Se aproximando de um ação militar de retaliação, o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, acusou nesta sexta-feira as forças sírias de terem deixado 1.429 mortos, incluindo 426 crianças, em um suposto ataque com armas químicas lançado na semana passada nos arredores de Damasco.

Obama: Ataque químico da Síria é ameaça ao mundo e aos interesses dos EUA

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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, faz pronunciamento sobre Síria no Departamento de Estado em Washington
AP
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, faz pronunciamento sobre Síria no Departamento de Estado em Washington

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Segundo o secretário de Estado americano, John Kerry, o ataque é um "horror inconcebível" e, de acordo com um relatório de inteligência , foi planejado pelas forças de Bashar al-Assad com dias de antecedência. O número das estimativas iniciais sobre o ataque era bem menor do que o anunciado nesta sexta por Washigton.

"Alguns citam o risco de fazer algo" em resposta (ao ataque químico), disse Kerry em um discurso em que reconheceu que os americanos e os aliados dos EUA estão cansados de guerra. "Mas precisamos nos perguntar qual o risco de não fazer nada."

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Consciente da opinião público contrária ao envolvimento americano em mais um conflito no Oriente Médio, Kerry disse que a situação atual não é similar à do Iraque, quando afirmações do governo de George W. Bush (2001-2009) de que o país tinha armas de destruição em massa provaram ser falsas. A invasão dos EUA em 2003 se transformou em uma guerra longa e mortal. "Não repetiremos aquilo", garantiu.

Posteriormente ao pronunciamento de Kerry, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que o ataque químico da Síria representava uma ameaça ao mundo e aos interesses dos EUA . O líder americano também disse que, se os EUA lançarem uma ofensiva militar contra o país, será limitada, sem uso de tropas terrestres e sem o objetivo de derrubar o regime.

Kerry disse que o governo consultará os líderes do Congresso sobre o caso. O governo do presidente sírio rejeita a acusação e culpa os rebeldes pelo suposto ataque.

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Corpos de crianças mortas em suposto ataque químico jazem na região de Ghouta, Síria (21/8)
AP
Corpos de crianças mortas em suposto ataque químico jazem na região de Ghouta, Síria (21/8)

Inspetores de armas químicas da ONU estão na Síria investigando o incidente e devem sair do país no sábado, quando devem transmitir ao secretário-geral da instituição, Ban ki-moon, algumas de suas conclusões. A equipe entregará para testes em laboratórios na Europa as amostras que coletaram. Kerry, porém, afirmou que os EUA já têm os fatos, acrescentando que nada que os inspetores da ONU encontrarem pode dizer algo novo ao mundo.

Vídeos que teriam sido feitos nos locais do suposto ataque mostram vítimas se contorcendo de dor, com espasmos e mostrando outros sintomas associados a agentes que afetam o sistema nervoso.

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Após reunião com seus assessores de segurança nacional na Casa Branca, Obama reiterou que ainda não tomou uma decisão final sobre um sobre atacar instalações militares que pertencem ao regime sírio. Apesar disso, assessores do governo não fizeram nada para desencorajar as previsões de que os EUA lançariam o ataque - e em breve.

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O secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, disse que os EUA continuarão a buscar uma coalizão internacional para agir em conjunto sobre a Síria. "É o objetivo do presidente Obama e do nosso governo... qualquer decisão que seja tomada, que seja uma colaboração e esforço internacionais", disse durante viagem às Filipinas.

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Em suas declarações nesta sexta, Obama disse que tem uma forte preferência por uma ação multilateral, mas ressaltou que atualmente há uma "incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em avançar", referindo-se aos vetos da Rússia e da China a qualquer tentativa de punição ao regime sírio . "Não queremos que o mundo fique paralisado", disse.

Navios de guerra americanos estão posicionados no Mar Mediterrâneo armados com mísseis de cruzeiro, há muito tempo a arma preferida dos presidentes pelo fato de que podem alcançar um alvo a centenas de quilômetros sem necessidade de cobertura área ou de soldados no campo de batalha.

O iminente confronto é a mais recente evolução de uma guerra civil em que Assad de forma tenaz e brutal se agarrou ao poder. De acordo com a ONU, o conflito de mais de dois anos e meio deixou mais de 100 mil mortos , muitos deles como resultado de ataques do governo sírio contra seus próprios cidadãos.

*Com AP e BBC

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