EUA ficam em encruzilhada ao apontar possível uso de armas químicas por Síria

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Por reiteradas vezes, Obama afirmou que regime de Assad 'cruzaria linha vermelha' com uso de armamento não convencional, sugerindo que poderia intervir militarmente em guerra civil

Em visita ao Egito durante sua primeira passagem por países do Oriente Médio, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, declarou ser aconselhável "que o uso de armas químicas pela Síria seja confirmado por todos meios possíveis".

Hagel e Casa Branca: EUA suspeitam de uso de armas químicas por Síria

Reuters
Homem chora em local atingido por míssil no bairro de Ard al-Hamra, em Aleppo, Síria (02/2013)

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Na quinta em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, Hagel afirmou que os EUA suspeitam do uso de armas químicas pela Síria ao declarar que "nossa comunidade de Inteligência afirma, com graus de confiança variáveis, que o regime sírio usou armas químicas em pequena escala na Síria, especificamente o agente químico sarin".

Confirmar o uso de armamento não convencional pelo regime de Bashar al-Assad colocaria Washington numa encruzilhada pelo fato de o presidente Barack Obama ter afirmado reiteradas vezes que a Síria "cruzaria uma linha vermelha" se recorre a seu arsenal químico, sugerindo que os EUA poderiam mudar a decisão adotada até agora de não intervir militarmente no conflito.

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Mesmo que o Conselho de Segurança da ONU venha a punir a Síria se forem confirmadas as suspeitas de uso de armas químicas na guerra civil de dois anos, o presidente Assad deve ignorar a reprimenta porque está lutando pela continuidade de seu governo e pela sobrevivência de sua família.

O presidente sírio vem demonstrando grande resistência em relação aos rebeldes e parece manter a autoconfiança. A manutenção de Assad também é explicada pela falta de unidade dos rebeldes.

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Por exemplo, sabe-se que a rede terrorista Al-Qaeda está entre eles. Ainda não se sabe quem assumiria o governo, em caso de vitória da rebelião. Poderia haver choque de facções, com início de outra guerra civil. Aliás, os conflitos entre essas forças é mais do que lógico, porque elas se diferenciam até ideologicamente, com a presença de xiitas e sunitas.

Obama tem uma acentuada preferência pelo uso de meios políticos e diplomáticos na solução de conflitos, como a recente crise da Coreia do Norte exemplifica. Os EUA tiraram as tropas do Iraque, onde a matança entre sunitas e xiitas continua. Em sua passagem por Jerusalém, respondendo pergunta em coletiva, Hagel declarou que "Israel pode atacar o Irã se quiser, é um direito, mas não disse que os EUA atacariam". Obama não quer seu país em conflitos que ameacem as vidas de seus soldados.

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Para punir Bashar Assad, só com emprego de força. Apesar da declaração do comandante-geral do Exército Israelense, Benny Gantz, "de que suas atividades principais se relacionam ao Irã", conforme divulgado pelo Jerusalém Post, a questão agora é a Síria. O uso de armas químicas e biológicas seria imperdoável, aumentando suspeitas de que a Síria poderia repassá-las ao grupo militar e político Hezbollah, aliado de Assad.

Sabe-se exatamente a quantidade de armas químicas e biológicas que o governo sírio tem. A mídia israelense afirma que houve o uso desses armamentos contra os rebeldes.

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