Petistas de SP criticam aproximação de Dilma e Alckmin

Integrantes do partido temem ofensiva do PSDB sobre as bases do PT na capital paulista

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A aproximação da presidenta Dilma Rousseff com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem causado desconforto no PT paulista. Neste sábado, integrantes do diretório estadual do PT reunidos na sede do partido em São Paulo criticaram abertamente a aproximação.

Segundo os críticos de Dilma, ao se aproximar de Alckmin a presidenta dá ao tucano um discurso social, até então monopolizado pelo PT, que permite uma ofensiva do PSDB sobre as bases tradicionais do PT no maior colégio eleitoral do País, principalmente os moradores dos bairros da periferia da capital.

Desde agosto Dilma já se reuniu duas vezes com Alckmin em São Paulo. Nas duas ocasiões ambos trocaram afagos publicamente. Mais do que isso, Alckmin decidiu finalmente incluir São Paulo nos programas sociais do governo, principalmente o Brasil Sem Miséria.

Os petistas temem que o governador use isso para ocultar a participação da União nos programas e tente capitalizar eleitoralmente a distribuição de benefícios durante a campanha do ano que vem.

No roteiro elaborado pela executiva do PT paulista para pautar os debates na reunião de sábado, o partido evita críticas diretas à presidenta, mas não esconde o desconforto com a aproximação.

“Em São Paulo, temos presenciado no governo Alckmin um esforço para mudar a imagem dos governos liderados pelo PSDB, inclusive aqueles liderados por ele próprio. O governo paulista se mostra mais aberto ao diálogo e se coloca como parceiro do Governo Dilma na execução de políticas públicas e projetos. Não podemos ter a ilusão que esse ‘verniz político’ signifique uma reorientação na construção do projeto político liderado pelo PSDB em São Paulo”, diz o documento.

Mais adiante o texto diz explicitamente que Alckmin está avançando sobre as bases do PT na capital.

“É nítida a ofensiva do governo Alckmin sobre a nossa base social. A regionalização das políticas públicas significa a disputa na sociedade de uma proposta que sempre fomos interlocutores e um ataque direto sobre nossa principal base social no Estado, a região metropolitana de São Paulo”, diz o documento.

Na reunião de sábado a direção do PT de São Paulo tentou conter a onda de reclamações argumentando que ao contrário de Lula, que liberava verbas para os governos tucanos do Estado e nem sequer fazia cerimônias públicas para anunciar as liberações, Dilma faz questão de imprimir a marca do governo federal nos programas em parceria com a administração estadual. “Nossa tarefa agora é disputar as marcas”, disse um dirigente do PT.

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