Lula inicia quimioterapia e terá acompanhamento fonoaudiológico

Câncer na laringe que acomete o ex-presidente é considerado de média agressividade e pode deixar sequelas na voz

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Diagnosticado com câncer na laringe no último fim de semana , o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta segunda tratamento de quimioterapia para combater a doença. De acordo com os médicos, Lula corre o risco de sofrer alterações na voz e, por isso, o tratamento de fonoaudiologia também terá início imediato. Segundo a equipe médica do Hospital Sírio-Libanês, que acompanha o ex-presidente, a agressividade do câncer que o acomete o é classificada como intermediária.

Entenda a doença de Lula:

- Voz rouca de Lula pode ter mascarado sintoma de câncer

- Entenda o que é câncer na Enciclopédia de Saúde do iG

Confusão no hospital:

- Repórter da TV Globo é agredida na porta do hospital

O oncologista Ricardo Caponero, da Clínica de Oncologia Médica, explica que a agressividade de um tumor é avaliada pelos médicos de duas formas: pelo resultado da biópsia e pelo estadiamento. A biópsia consiste na retirada de um fragmento do tumor e na análise desse material no microscópio. Feita por um patologista, esse exame revela se o tumor é maligno ou benigno.

Leia também: Biópsia sem medo

O estadiamento é a avaliação do quanto a doença já se alastrou pelo corpo do paciente. Isso é feito por meio do exame clínico e por exames de imagem (ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética) que fornecem aos médicos o tamanho exato do tumor, se ele já comprometeu as regiões próximas, se afetou os gânglios linfáticos ou se já se espalhou para outras áreas do corpo – a temida metástase.

Tratamento

Para a primeira fase do tratamento, um cateter é colocado no ombro direito de Lula, na veia subclávia. Além do cateter, o ex-presidente carregará uma bomba de infusão, que servirá para administrar o tratamento quimioterápico. A bomba de infusão consiste em uma bolsa, um pequeno cano e uma agulha ligada ao cateter, que joga o coquetel de remédios na corrente sanguínea.

O coquetel que Lula receberá é composto por três drogas: Taxotene, Cisplatina, Fluorouracila. Os medicamentos serão injetados por um período de cinco dias, após os quais a bomba de injeção será removida e cateter permanece no corpo para aplicações futuras. Terminada a aplicação, os médicos vão aguardar um prazo de 15 dias antes de iniciar um novo ciclo de tratamento.

No total, a quimioterapia vai durar aproximadamente dois meses, período no qual Lula passará por três ciclos de quimioterapia, um a cada 20 dias. Cinco dias após o fim do segundo ciclo, os médicos farão a primeira avaliação para medir como o organismo de Lula reage ao tratamento.

Após terceiro ciclo, será necessário aguardar de três a quatro semanas para iniciar a radioterapia, o que segundo os médicos deve ocorrer 10 e 12 de janeiro. Esta etapa do tratamento terá duração de sete semanas. Lula será colocado numa máquina, que emite raios nos pontos pré-determinados pelos médicos.

O tratamento deve durar até o fim de fevereiro. A partir de então, o ex-presidente passará por acompanhamento periódico. Se o câncer não voltar a se manifestar por dois anos, as chances de reincidência se reduzem significativamente. Mas somente após cinco anos sem manifestações será possível dizer que o ex-presidente está de fato curado da doença.

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ex-presidente inicia nesta segunda-feira o tratamento de quimioterapia contra o câncer

Procedimento padrão

De acordo com o oncologista Luiz Paulo Kowalski, que integra a equipe responsável por acompanhar Lula, o tratamento foi concebido tendo por único objetivo aumentar as chances de cura. A decisão de não operar imediatamente e a opção pela aplicação de quimioterapia e radioterapia, segundo ele, correspondem ao procedimento padrão no tratamento desse tipo de câncer há mais de 15 anos.

"Há 20 anos, possivelmente, ele seria submetido a uma cirurgia. Mas já há elementos na literatura mostrando que o potencial de cura é o mesmo que haveria com a quimioterapia, com a vantagem de preservar o órgão”, disse o médico. 

O câncer que acomete Lula, segundo ele, é o mais comum que existe. A média mundial de incidência da doença entre pessoas do sexo masculino é de 6 casos pra 100 mil homens. Em São Paulo, a ocorrência é bem maior, de 17 casos para cada 100 mil homens. Segundo o médico, a diferença se explica pelo consumo de tabaco, possivelmente combinado aos elevados índices de poluição.

Apoio

No início da tarde de hoje, os médicos colocaram o cateter no corpo de Lula e administraram um anestésico local e um sedativo. Assim que acordar, Lula receberá uma medicação para minimizar efeitos da quimioterapia. Somente no fim da tarde deve ser iniciada a injeção do coquetel. Lula, no entanto, não terá de ficar internado. Ele passa a noite no hospital e poderá ir para sua casa, em São Bernardo do Campo, amanhã

A presidenta Dilma Rousseff deve vir a São Paulo no fim da tarde desta segunda-feira para visitar o antecessor . De acordo com os médicos, Lula tem recebido informações sobre a repercussão internacional de sua doença, assim como as manifestações de apoio. Inclusive membros da oposição procuraram prestar solidariedade ao ex-presidente, entre eles o antecessor Fernando Henrique Cardoso, que pretende telefonar ao petista. Lula também já recebeu ligações de chefes de Estado como Raúl Castro e Cristina Kirchner.

    Leia tudo sobre: câncer de LulaLula

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG