Diário Oficial traz nomeação de substituto de irmão de ministro

Após reunião com ministros, Dilma reage à crise na Integração. Guilherme Almeida é novo presidente da Codevasf

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Dilma reforçou necessidade de defender ministro da Integração
A presidenta Dilma Rousseff reagiu ontem à crise do Ministério da Integração Nacional com medidas para evitar desgaste político no início do seu segundo ano de mandato. A principal delas saiu no Diário Oficial da União: a nomeação de Guilherme Almeida, como novo presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf). Ele é indicado pelo PT do Piauí.

Estatal subordinada ao Ministério da Integração, a Codevasf vinha sendo presidida por Clementino Coelho. Ele é irmão do ministro da Integração, Fernando Coelho, que,  desde a semana passada, é alvo de críticas por privilegiar seu Estado de origem, Pernambuco, com obras e medidas preventivas contra enchentes. 

Além da nomeação do novo presidente da estatal, Dilma reuniu sete ministros para definir e depois anunciar medidas antienchetes e desastres provocados pelas chuvas de verão. Reforçou a necessidade de se defender Fernando Coelho, o ministro da Integração. .

A substituição na Codevasf foi motivada por denúncias de que Clementino e Fernando Coelho teriam se beneficiado pelo fato de o segundo ser, formalmente, subordinado ao primeiro _o nepotismo, porém, não ficou configurado porque Clementino chegou à estatal antes da nomeação de Fernando na pasta.

A principal acusação contra os dois envolveu outro integrante da família, o deputado federal e filho do ministro da Integração, Fernando Coelho Filho (PSB-PE). Ele apresentou emendas ao Orçamento para projetos da Codevasf e conseguiu receber os pagamentos em tempo recorde pelo ministro da Integração. Coelho nega e argumento que todos os pagamentos tiveram aval da Casa Civil 

Na sexta-feira passada, a Casa Civil já havia saído em defesa de Clementino e Fernando Coelho. Por meio de nota, a ministra Gleisi Hoffmann afirmou que a substituição de Clementino por Almeida já havia sido encaminhada pelo ministro da Integração há 50 dias.

“Em que pese Almeida já ocupar o cargo estatal, a assunção à presidência do órgão exige novas consultas, conforme determina a legislação”, explicou a ministra na nota. Dois dias antes, Gleisi já havia negado ter recebido ordens de Dilma para intervir na Integração.

O posicionamento da chefe da Casa Civil, que interrompeu as férias após o início da crise, foi combinado com a presidenta da República. Após Gleisi, a própria Dilma resolveu antecipar sua volta das férias na quinta-feira. Ontem foi, de fato, sua primeira reunião importante.

No encontro, Dilma reforçou a necessidade de o governo defender Fernando Coelho.

Filiado ao PSB, o ministro foi indicado pelo governador de Pernambuco e presidente nacional socialista, Eduardo Campos. Nos últimos meses, ele aumentou seu capital político e passou a figurar como possível candidato à sucessão em 2014, o que irritou setores do PT. Dilma, porém, tenta evitar que Campos se aproxime do PSDB, partido com o qual mantém boa relação.

Força-tarefa

Em reunião com sete ministros, Dilma decidiu criar uma força-tarefa com 35 geólogos e 15 hidrólogos. A equipe irá atuar nas áreas algo de chuvas de verão nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Segundo o governo, a força-tarefa "vai trabalhar na identificação das áreas sujeitas a deslizamentos e inundações, de onde as famílias devem ser removidas pela Defesa Civil".

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