Congressistas driblam a falta de tempo para garantir visibilidade no Twitter

Maioria dos líderes admite auxílio de assessores na hora de postar informações; oposicionistas somam mais seguidores no microblog

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Divulgação
Twitter do senador Álvaro Dias (PSDB)
Em busca de um palanque virtual, dez dos doze líderes dos maiores partidos da base e da oposição no Brasil mantêm ativos perfis no Twitter. Nele, os políticos precisam resumir uma mensagem em 140 caracteres. A restrição nas palavras destoa dos usuais discursos longos dos políticos. Mas o desafio não para por aí. Os parlamentares também precisam driblar a falta de tempo para a interatividade com os eleitores.

Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido no Senado e Mário Couto (PSDB-PA), líder da minoria na mesma Casa, são os únicos que não possuem perfis no Twitter. No entanto, todos os outros que possuem conta, maior parte alega falta de tempo para mais interação.

A oposição no Congresso soma mais seguidores: cerca de 100 mil, contra 35 mil da base. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) lidera o ranking de seguidores com 39.970. Senador pelo DEM-GO, Demóstenes Torres ocupa a vice-liderança com 28.320; seguido de ACM Neto (DEM-BA), com 27.960. Deputado federal pelo PT-SP, Cândido Vaccarezza possui 10.400 seguidores.

Já o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), tem 9.730, enquanto o líder de Governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), tem 6.240. Líder do bloco de apoio ao governo e do PT, o senador Humberto Costa (PE) tem 5.900 seguidores contra 2.450 do tucano Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), líder da minoria na Câmara dos Deputados.

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Os menos seguidos no Twitter são o líder do PT na Câmara Federal, Jilmar Tatto (PT-SP), com 2.100, e o deputado federal pelo PSDB-PE Bruno Araújo (PSDB-PE), com 1.350.

Praticamente todos os líderes analisados admitem auxílio de assessores na hora de postar informações. Exceção é o senador Álvaro Dias (@alvarodias_), líder do PSDB. Ele não permite que nenhum assessor tenha acesso à sua conta no Twitter e, mesmo cuidando do mecanismo sozinho, é um dos mais ativos na rede de microblog. Dias já postou mais de 59.300 comentários no Twitter, desde 13 de setembro de 2009.

“As redes sociais são a forma mais rápida e eficiente de prestar contas à população. São também meio eficaz de receber cobranças e sugestões para o trabalho parlamentar”, avalia o tucano.

Segundo Dias, depois de pronunciamentos em plenário ou questionamento em comissão, aumenta bastante o número de mensagens nas redes.

“Elas (redes sociais) são um termômetro para captar aspirações da sociedade”. A interação reflete no número de seguidores no Twitter. Ele é o campeão dentre os analisados, com mais de 39.970 seguidores.

Como Álvaro Dias, outro político que tomou gosto pelas redes sociais é Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), líder do PMDB na Câmara dos Deputados. Segundo seus assessores, apenas notícias são postadas por sua equipe de comunicação, mas há interação com seguidores. Até agora, foram mais de 4.610 postagens desde 8 de setembro de 2009. O peemedebista possui mais de 9.730 seguidores no Twitter (@HenriqueEAlves) e criou um perfil no Facebook recentemente.

O senador Humberto Costa (PT-PE) diz não ser nenhum “expert em informática”, mas evita contar com a ajuda de assessores na hora de usar as redes sociais. Ele explica que possui duas contas no Twitter @humbertocostapt e @senadorhumberto, sendo as atualizações na segunda conta exclusivas de sua assessoria.

“Aos poucos, fui me acostumando a ler e a acompanhar a participação das pessoas nas redes e, com o tempo, comecei a fazer mais e mais potagens. Acabei gostando tanto que, hoje, costumo acessar pelo menos uma vez ao dia, principalmente do meu celular e iPad, que posso levar comigo para qualquer lugar, inclusive quando estou em viagens ou no Plenário”, conta o líder do PT. Sua conta pessoal foi criada em 21 de setembro de 2009 e possui mais de 1890 postagens e cerca de 5.900 seguidores.

A assessoria de imprensa do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder de governo, informou ao iG que por não poder responder a todos, o senador tem como critério não responder ninguém. Mesmo assim, se interessa pelos mecanismos a ponto de se preocupar com a qualificação de sua equipe, sempre em busca de cursos sobre o tema.

A assessoria também informou que Jucá (@senromerojuca) briga com o tempo para poder estar conectado às redes sociais e que, às vezes, passa por mensagem um post para que a assessoria publique. Jucá possui pouco mais de 6.240 seguidores e 2.689 postagens desde que a conta foi criada, em 15 de julho de 2009.

A falta de tempo é argumento para a falta de interatividade. Além de Jucá, outro que briga com o tempo para interagir é líder do Democratas, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), informou sua assessoria. Mas o reconhecimento de que as redes sociais são um mecanismo irreversível de visibilidade também é uma realidade na condução do trabalho. Torres (@demostenes_go) possui pouco mais de 28.320 seguidores e postou mais de 11.810 vezes desde 8 de maio de 2009.

O deputado federal líder de governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), por exemplo, avalia que a criação dos perfis faz parte do processo de ampliação do diálogo entre parlamentar e eleitores. Ele chama o processo de “cidadania digital”. “Nos permite em tempo real saber quais são as demandas da sociedade, o sentimento das discussões populares e a repercussão dos temas em debate no parlamento”.

Sobre a deficiência na interação, o líder de governo avalia como o único aspecto negativo das redes. “A única desvantagem fica por conta da velocidade das interações. Muitas vezes, é difícil dar respostas na mesma velocidade em que os fatos acontecem, e isso irrita os seguidores, acostumados só com o tempo instantâneo da internet.” O petista (@vaccarezza) possui mais de 10.400 seguidores e, desde 15 de junho de 2009 fez mais de 3.200 postagens.

Mendes Thame possui cerca de 2.450 seguidores no Twitter, na conta @mendesthame, criada em 9 de julho de 2009. Apesar de pouca, há interatividade com seus seguidores. Thame também usa a rede de microblog para postar notícias e opiniões. Até agora foram cerca de 1.950 postagens. Seguindo a “escola Álvaro Dias de tuitar“, Thame diz que é ele mesmo quem posta mensagens no Twitter.

“Nunca fiz um curso para me aprofundar e os resultados são modestos”, diz. Questionado se gostaria de ter mais tempo para interação, ele responde, em tom de brincadeira, que “se o dia tivesse 36 horas, seria legal”. Ainda que não concentre demais a divulgação de seu trabalho nas redes sociais, Thame sabe explicar porque os políticos geralmente mantém as contas ativas em períodos pré-eleitorais. “No ano eleitoral os políticos têm gastos previstos com empresas especializadas neste tipo de trabalho. Passadas as eleições, as empresas normalmente são demitidas”.

Recentemente eleito líder do PT na Câmara dos deputados, Jilmar Tatto (PT-SP) mantém uma conta no Twitter (@jilmartatto) onde posta notícias e sua agenda. A interação com seus mais de 2.100 seguidores é rara e o perfil foi criado em 29 de junho de 2009. Em menos de três anos, Tatto fez pouco mais de 1.100 postagens. Tatto não foi localizado para comentar sobre as redes sociais.

O deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder do PSDB na Câmara dos Deputados, possui apenas 160 postagens, desde que criou a conta (@BrunoAraujo4511), em junho de 2009. Grande parte delas dedica-se a criticar gestão petista do governo Dilma Rousseff. Araújo possui pouco mais de 1.357 seguidores e também não foi localizado para falar sobre o assunto.

Já o líder do Democratas, ACM Neto (DEM-BA), um tuiteiro convicto, conta com a ajuda de sua equipe de comunicação, mas a proibiu de postar comentários e opiniões, informou a assessoria de imprensa dele. @acmnetodeputado possui mais de 27.960 seguidores e procura interagir desde quando criou sua conta, em 23 de junho de 2009.

Curiosidades sobre os líderes no Twitter

Humberto Costa teve seu nome anunciado como líder do PT no Senado por Delcídio Amaral (PT-MS), no dia 11 de janeiro de 2011. “Acaba de ser escolhido, por unanimidade, o companheiro Humberto Costa como líder da bancada do PT no Senado”, publicou o petista. Já Renan Calheiros, apesar de não ter conta no Twitter, transformou-se em um dos tópicos mais comentados quando assumiu vaga no Conselho de Ética no Senado. O nome dele chegou a ficar em segundo lugar nos tópicos mais comentados no Brasil, no final do mês de abril de 2011.

Criado em 10 de abril de 2010, o perfil @dilmabr possui mais de um milhão de seguidores. No período ativo, foram 394 postagens. Depois de ser eleita, a presidenta deixou a rede social com a seguinte mensagem, no dia 17 de dezembro do mesmo ano: "Amigos, muito legal ser tão lembrada no twitter em 2010. Logo eu, que tive tão pouco tempo p/estar aqui c/vcs. Vamos conversar mais em 2011". No ano passado, não houve nenhuma postagem.

Mário Couto teve um perfil falso criado na rede de microblog, enquanto Álvaro Dias protagonizou, pelo Twitter, um bate boca com André Vargas, deputado federal e secretário do PT Nacional. “Você é líder do PSDB da oposição, que não tem proposta para o Brasil”, postou @andrevargas13. “Roubo é roubo. Factoide é factoide. O governo é fábrica de escândalos”, rebateu Dias.

Outro tucano, o deputado federal Duarte Nogueira (@duarte_nogueira), ex-líder do PSDB na Câmara dos Depiutados, pediu à Polícia Federal investigação sobre ataques ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), via Twitter oficial da TV Brasil (@tvbrasil). "Aécio Neves mentiu ao País. Sua habilitação para dirigir foi renovada em 31/5/2010", dizia o post no Twitter da TV Brasil.

O episódio rendeu um pedido de desculpas formal ao senador mineiro que, por sinal, não possui contas ativas no Twitter. Mesmo assim, já sentiu o peso de ser um dos tópicos mais comentados, como neste episódio em que foi detido na blitz da Lei Seca, no Rio de Janeiro.

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