Durante o anúncio do pacote anticorrupção, a presidente Dilma Rousseff falou que espera que medidas facilitem a discussão sobre a reforma política

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de lançamento do Pacote Anticorrupção
Fotos Públicas/Roberto Stuckert Filho/PR
Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de lançamento do Pacote Anticorrupção

A presidente Dilma Rousseff, acompanhada de seus ministros, anunciou nesta quarta-feira (18) um pacote de medidas para combater a corrupção. As duas mais relevantes tornam crime o 'caixa 2' de campanha eleitoral, ou seja, as doações não contabilizadas, e prevê a alienação antecipada de bens apreendidos pela polícia para que não sejam utilizados por agentes públicos.

Tanto o discurso de Dilma Rousseff quanto do ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça procuraram ressaltar que a corrupção não é um fenômeno do governo petista. "Mesmo aqueles que não votaram em mim sabem que a corrupção não foi inventada recentemente", alfinetou a presidente, em mensagem indireta aos que participaram do protesto do último dia 15. "Alguns governos criam condições para que a corrupção seja prevenida, investigada e punida, outros não."

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Além do pacote anti-corrupção, a presidente propôs um pacto nacional que leve a esperada reforma política. E sugeriu que as atitudes lícitas pautem também a vida dos brasileiros. "Além desse conjunto de novas leis, é preciso também uma nova consciência no País, fundada em valores éticos profundos. Ela tem de nascer em cada lar, em cada escola, em cada alma e no coração de cada cidadão e ganhar toda a sociedade e a esfera pública. Nós não somos mais o País que alardeava que gostava de levar vantagem em tudo. Temos de criar uma nova visão, uma nova moralidade pública", afirmou Dilma.

Cardozo e Dilma procuraram salientar que os casos de corrupção no País causam estragos nas empresas, nos cofres públicos e também afetam os mais pobres, pois "agrava a exclusão social", disse o ministro. Em outro techo do discurso, a presidente afirmou: "A corrupção rouba o poder legítimo do povo, ofende e humilha os trabalhadores, diminui a importância do trabalho honesto".

As medidas do pacote anti-corrupção foram elaboradas por cinco ministérios: Ministério da Justiça, Casa Civil, Controladoria-Geral da União, Advocacia-Geral da União e Planejamento, Orçamento e Gestão. As propostas serão encaminhadas ao Congresso Nacional para discussão e votação.

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