Comunidade médica prega holocausto no Nordeste em campanha contra Dilma na web

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupo com quase 100 mil que se dizem médicos ou estudantes de medicina defende 'castrações químicas' a eleitores do PT

Uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra de classes no entorno da corrida presidencial, entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). 

Com o título de "Dignidade Médica", as postagens do grupo pregam "castrações químicas" contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um "holocausto" entre os eleitores da petista.

Médica de grupo anti-PT minimiza holocausto a nordestinos: 'é revolução do agir'

Ódio na web: Disputa presidencial gera surto de preconceito contra nordestinos

Reprodução
Reprodução da página 'Dignidade Médica' com quase 100 mil membros no Facebook

Médicos, professores e estudantes de medicina estão entre os 97.901 membros da comunidade na rede social Facebook. Entre postagens de revolta com a situação da econômica do País e xingamentos a nordestinos, os participantes confessam que fazem campanha pró-Aécio até dentro do próprio consultório – público ou privado – convencendo os seus pacientes. Eles dizem que colocam "a recepcionista no lugar dela" com ameaças de que perderia o emprego com a reeleição de Dilma.

O discurso de ódio conta com frases de "nível de conversa que pobre entende" e ameaças de expulsão do grupo caso o usuário se manifeste contra os ideais da página. Um usuário protesta: "70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!".

Leia os comentários da página "Dignidade Médica" no Facebook:

Postagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoReprodução da página 'Dignidade Médica' com quase 100 mil membros na rede social do Facebook. Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoUsuários confessaram que fazem campanha por Aécio Neves dentro do próprio consultório - privado ou público. Na foto, suposto receituário médico com apoio ao tucano. Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoPostagens do grupo 'Dignidade Médica' no Facebook com citações preconceituosas e discurso de ódio . Foto: ReproduçãoFoto com a frase 'Sou médico e não voto no PT' é compartilhada por alguns membros do grupo nas redes sociais. Foto: ReproduçãoReprodução do tumblr ' Médicos Indelicados', que soma as postagens preconceituosas e de ódio do grupo. Foto: Reprodução

As manifestações, no entanto, saíram das redes e foram denunciadas pelo tumblr “Médicos Indelicados”, que reúne os post mais inflamados e dá comentários irônicos aos desabafos dos profissionais de jaleco branco.

Procurado pelo iG, o Conselho Federal de Medicina (CFM), com sede em Brasília, afirmou ser “contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa”. Em nota, o órgão ponderou dizendo que todos os profissionais podem manifestar opiniões, “inclusive políticas”, mas considerando o “comportamento ético e o respeito às leis”. O CFM cita ainda uma investigação em casos que “extrapolem esses limites”.

Leia abaixo a íntegra da nota CFM ao iG sobre o caso:

“O Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa praticada por qualquer pessoa por conta de aspectos como etnia, origem geográfica, gênero, religião, classe social, escolaridade, orientação sexual ou posicionamento ideológico, entre outros. Esse entendimento representa a percepção da classe médica brasileira.

Para a Autarquia, o Brasil é um país democrático, onde todos os cidadãos devem e podem manifestar suas opiniões, inclusive políticas. No entanto, esta expressão deve ter como parâmetros o comportamento ético e o respeito às leis. Casos que extrapolem esses limites devem ser investigados pelas autoridades competentes.”

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