Marina retoma visual étnico e sofisticado e inventa gloss caseiro de beterraba

Por Luciana Lima - iG Brasília |

compartilhe

Tamanho do texto

Alérgica a batons, a candidata do PSB tem feito seu próprio brilho. Nas pausas da campanha, prepara um colar de jarina

Divulgação
Marina investe em estampas étnicas

Como protagonista da campanha socialista após a morte de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva tenta passar o conceito de “sustentabilidade”, marca que considera ser uma das mais fortes de sua figura política, no modo de se vestir, nos assessórios que usa e até na maquiagem. Roupas com motivos étnicos, colares confeccionados por ela mesma e um gloss caseiro, feito com açúcar e beterraba, compõem o visual de Marina nesta campanha.

De batom natural a dinheiro no colchão: Veja curiosidades dos presidenciáveis

Veja trechos da letra: 'Não vamos desistir do Brasil' vira jingle de Marina

O gloss caseiro é a grande novidade. Marina o inventou há pouco menos de um mês e tem aparecido com os lábios brilhosos, efeito que o “batom de beterraba” nunca deu. A presidenciável foi para cozinha e fez uma calda com açúcar e água, colorida com beterraba, e tem andado com um pequeno frasco cheio do invento na bolsa. Para aplicar, ela usa um cotonete.

A alergia à maior parte dos cosméticos impede Marina de usar batom. Qualquer produto, até mesmo de marcas importadas, causa coceira e inchaço nos lábios.

Para driblar esse problema sem abrir mão da vaidade na campanha passada, ela ficou famosa por ter sempre à mão um potinho de plástico com pedacinhos de beterraba orgânica para passar nos lábios. Na época, ela chegou a explicar a alguns curiosos que o truque só dava certo com beterraba orgânica, que tinha mais cor e mais suco que a beterraba comum.

Após saída de Siqueira: Luiza Erundina assume coordenação da campanha de Marina

Invenções à parte, em ocasiões especiais ou para gravações, Marina tem de se render aos produtos da indústria cosmética. Quando se lançou candidata em 2010, a ex-senadora precisou passar por vários testes para encontrar uma base para rosto que não lhe causasse irritação.

Atualmente, em eventos que realmente exigem maquiagem, ela usa base, corretivo e pó da norte-americana M.A.C., uma das poucas marcas que não lhe causam urticária. Marina também se rendeu a fazer as sobrancelhas, procedimento que ela sempre recusou com a frase: “Deixa para depois, isso é muito sofrimento.” No novo visual, Marina também tem usado lápis preto contornando os olhos.

Marina usa colares de sua fabricação. Foto: Alan Sampaio /iG BrasíliaMarina usa outro colar de sua coleção. Foto: DivulgaçãoMarina ao lado de Eduardo Campos: nova candidata do PSB investe em visual étnico e gloss caseiro. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMarina usa colar de flecha, marca da campanha de 2010. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaBlusa de renda da convenção foi comprada em loja no Aeroporto de Recife. Foto: Agência BrasilMarina costura bainha da saia da marca Gatos de Rua, coletivo de Recife que trabalha com materiais recicláveis. Foto: DivulgaçãoEm meio à correria da campanha, Marina encontra tempo para finalizar colar de jarina. Foto: DivulgaçãoMarina levou para São Paulo uma oficina portátil para continuar produção de colares. Foto: DivulgaçãoColar de jarina está sendo montado. Assessores otimistas apostam que ficará pronto antes da posse. Foto: Divulgação

No alvo

Na campanha, Marina faz questão de divulgar sua habilidade para o artesanato e exibe diariamente colares produzidos por ela. Um dos mais famosos é o “colar de flecha”, que ela usou no dia do registro da chapa socialista na Justiça eleitoral. Ela explica que a flecha tem duas pontas, uma da tribo Kraô, do Tocantins, e outra da tribo Apurinã, do Acre.

Dia 20: Marina assume candidatura do PSB e coloca homens de sua confiança na campanha

O “colar de flecha” é da campanha passada e foi produzido no ateliê de Marina montado em sua casa, em Brasília. A peça trouxe sorte para Marina, que conseguiu 19,2% dos votos, o que representa cerca de 20 milhões de eleitores e forçou a disputa no segundo turno.

Para este ano, nos raros momentos de pausa na campanha, Marina já prepara um colar novo, de jarina, uma semente da Amazônia conhecida como marfim vegetal. Para isso, ela levou para São Paulo o que chama de “oficina portátil”, uma caixa com ferramentas, a semente já cortada e fios para o colar.

Com o crescimento de Marina na última pesquisa, realizada após a morte de Eduardo Campos, alguns assessores, confiantes na vitória, chegaram a fazer as contas se dá para terminar o colar antes da posse.

Programa: Marina Silva defenderá Estado laico, PPPs e diálogo com agronegócio

O gosto de Marina por adereços também lhe rende presentes. Um deles ela tem usado com frequência e faz questão de explicar a origem da tribo Kraô. Trata-se de um colar todo trançado com franjas, bem ao gosto da acriana.

Histórias

O estilo de Marina adotado desde a última campanha lhe rendeu bons flertes com o mundo da moda. Logo após a campanha em 2010, ela foi convidada de honra do estilista Ronaldo Fraga para a primeira fila de seu desfile no São Paulo Fashion Week.

Marina apareceu com uma túnica chamada “cusma”, feita com um tecido pintado com tinta extraída de uma árvore chamada Cumaru, da tribo Ashaninka, do Acre, na divisa com o Peru.

Para cada traje de Marina, há sempre uma história a ser contada, uma justificativa a ser dada. Nesse quesito, a campanha investe para manter a mística em torno dela. As histórias estão na ponta da língua de seus assessores da campanha e de seus interlocutores mais próximos.

Perfil: Evangélica, Marina terá de agradar fiéis sem espantar o voto jovem progressista

Dentre os inúmeros contos estão a blusa de renda que ela usou na convenção do partido em junho e que foi comprada em uma loja do aeroporto de Recife, com certeza de alguma cooperativa de artesanato local.

Há ainda o vestido da noite de casamento de sua filha, comprado em uma loja de uma cidadezinha do interior do Brasil, em uma das viagens que fez ao lado de seu coordenador de mobilização, Pedro Ivo, também integrante da Rede. Isso ocorreu depois de ela ter viajado a Nova York e não ter encontrado nada de seu gosto.

Para esta campanha, Marina também tem comprado peças de roupa da marca Gato de Rua, um coletivo de Recife criado pelo designer Beto Kelner com materiais reciclados.

Leia tudo sobre: eleições 2014marina silvapsb

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas