'Fidel diz possuir apenas uma cabana de pescador, mas tem vila em ilha privada'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Reportagem do jornal espanhol El Mundo traz revelações de Juan Reinaldo Sánchez, ex-guarda-costas do líder cubano, que agora publica o livro A Vida Oculta de Fidel Castro

AP
Segundo livro, as festas de aniversário de Fidel tinham menu de luxo e encontro com amantes

“Fidel tem repetido durante toda a sua vida que não possui mais do que uma cabana de pescador. Mas, na realidade, ele tem uma vila em uma ilha privada para onde eu o acompanhei centenas de vezes entre 1977 e 1994”, explica o guarda-costas Juan Reinaldo Sánches, em reportagem publicado no jornal espanhol El Mundo.

No livro A Vida Oculta de Fidel Castro, o homem que combateu junto a Raul Castro na Revolução Cubana vai contar as “misérias humana de um dos políticos mais importantes do último século, preocupado em comunicar uma falsa imagem de austeridade consonante à causa comunista”, diz o jornal espanhol.

A obra traz uma foto aérea onde se vê no detalhe Cayo Pedra, “um lugar idílico, rodeado de águas cristalinas, com piscina de água doce, golfinho, restaurante flutuante, heliponto, abrigo antiaéreo, rampa de lançamento de mísseis e até uma fazenda de tartaruga, já que o Comandante gosta de comer este animal."

Segundo relato de Sánches ao El Mundo, vários convidados ilustres teriam passado pelo refúgio secreto de Fidel, como o ex-presidente colombiano Alfonso López Michelsen, o proprietário da CNN, Ted Turner, e o escritor Gabriel García Márquez, a quem Fidel teria tentado convencer, com seu apoio, a tomar o poder na Colômbia.

Festas de aniversário

Se Cayo Piedra representa o idílico descanso de Fidel, era unidade militar 160 que ele organizava, todo dia 13 de agosto, suas festas de aniversário. Nas comemorações, diz o jornal, o menu era cordeiro com vinho tinto argelino e havia também encontros com amantes.

Na obra, Sánchez cita algumas de suas conquistas mais célebres, como a camarada Celia Sánchez, sua secretária particular e confidente durante 30 anos; a tradutora Juanita Vera, coronel do serviço de inteligência que hoje trabalha para Raúl Castro e a aeromoça Gladys, que o acompanhava em suas viagens ao exterior.

Ao ser perguntado, pelo El Mundo, porque decidiu escrever o livro, Sanchés explicou: “Me fiz essa promessa quando estava preso. Percebi a importância das informações que havia adquirido e fiz um compromisso diante de Deus que o mundo tinha de saber a verdade. Em 2008, vim para a Flórida após 10 tentativas fracassadas de escapar da Ilha e comecei a recolher todos os dados. O governo cubano lança uma ideia sobre a vida austera do Comandante e sua honestidade, mas são qualidades totalmente falsas. Por meio das histórias que conto, porque eu vivia, as pessoas vão descobrir como a sua privacidade"

Máfias

No livro, além das extravagâncias de Fidel, o autor também revela detalhes sórdidos de seu papel como estadista, a partir de sua relação com a máfia da droga colombiana até seu apoio ao ETA e outros grupos terroristas passando por sua obsessão com a segurança e a mania de gravar tudo.

Em seu desejo de espalhar a revolução, Castro teria arregimentado guerrilheiros de todas as nacionalidades: o terrível Illich Ramírez (alias Carlos), terroristas da OLP, o IRA, os Black Panthers e o ETA. “Lembro-me nitidamente dos nomes porque passamos muitos momentos juntos: José Ángel Urtiaga Martínez, José Miguel Arruagaeta, Miguel Ángel Apalategui (Apala). Eles sabiam montar bombas caseiras com controles remotos e Fidel pediu para que ensinassem os instrutores de Punto Cero. Foi também em Cuba que o ETA deixou pronto o seu famoso lança granada Jotake, que depois foi usado para realizar ataques na Espanha e pelas FARC na Colômbia”, conta Sánchez.

Em 1994, ao renunciar ao cargo, Sanchez foi preso por dois anos e, em seguida, vigiado de perto pelo regime. "Muitas pessoas me perguntam agora se eu tenho medo e eu respondo que medo tinha em Cuba", confessou ao El Mundo. "Quando saí da prisão, tinha toda a segurança do Estado atrás de mim, seguindo meus passos, olhando para onde eu ia, com quem ele falava. Foi uma enorme pressão. Aqui em Miami eu me sinto livre, apesar de eu tomar minhas precauções, porque eu sei que a mão do governo cubano é longa e tem muitos amigos que podem fazer o trabalho sujo em qualquer lugar"

Sanchéz realizou dez tentativas de fuga até conseguir sair de Cuba, em 2008, com destino ao México. Ele agora vive na Flórida com seus irmãos, filhos, sobrinhos e cinco netos e diz que está aliviado e feliz por ter alcançado seu objetivo. "Tenha em conta que o único guarda-costas a sair de Cuba fui eu”, disse ao El Mundo.

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