As polêmicas de Gilmar Mendes

Antes da briga com Lula, ministro já discutiu com colega do STF quando presidiu a Corte

iG São Paulo |

Divulgação STF
Gilmar Mendes chega para sessão plenária do STF. O uso da toga é obrigatório
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes travou ao longo da semana uma briga de versões com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre um encontro dos dois no escritório do ex-ministro Nelson Jobim (Justiça 1995-1997, STF 1999-2006 e Defesa 2007-2011). Mendes acusou Lula de pressioná-lo para adiar o julgamento do mensalão e em troca ganharia uma blindagem na CPI do Cachoeira.

Mendes: 'Estamos lidando com gângsteres'

Lula e Jobim confirmam o encontro em abril deste ano, mas negam o seu conteúdo. E não há provas – pelo menos por enquanto – sobre o que foi conversado. Mendes também foi a público dizer que não há nada de irregular sobre a viagem a Berlim , onde encontrou o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), enrolado com o caso Cachoeira, e negou que tenha viajado em avião do bicheiro.

Resposta: Lula nega interferência no STF

Essa não é a primeira vez que o ministro Gilmar Mendes vira notícia por situações que fogem às decisões que toma como ministro do STF. Em abril de 2009, quando era presidente da Corte, se envolveu num bate-boca com o colega Joaquim Barbosa no meio de um julgamento.

Barbosa queria mais detalhes sobre o processo e Mendes respondeu dizendo que ele tinha faltado à sessão que tratou do assunto. Foi quando a discussão começou. Em um momento mais exaltado, Barbosa disse para Mendes não tratá-lo como “os seus capangas de Mato Grosso” e o bate-boca terminou com os dois exigindo respeito um ao outro. O tempo fechou no STF.

Divulgação/STF
Mendes e Barbosa se envolveram em bate-boca em abril de 2009

Presidente da Câmara: Maia diz ter ‘dúvida’ sobre comportamento de Mendes

Durante seus dois anos no comando do STF, Mendes quebrou a tradição de “presidente discreto” da Corte. Sempre pronto para uma entrevista, o ministro dava suas opiniões também sobre assuntos fora da pauta de julgamentos. Criticou as viagens de Lula para vistoriar obras, as invasões do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), as operações “midiáticas” da Polícia Federal etc.

Gurgel: Denúncia contra Lula vai para 1ª instância

Divulgação/STF
Mendes quebrou a tradição de “presidente discreto” e não fugia da imprensa

Também denunciou grampos ilegais em seu gabinete que nunca foram comprovados em meio à Operação Satiagraha, em 2008. As denúncias levaram à queda do então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda. O tal grampo tratava de uma conversa entre Mendes e o senador Demóstenes. Mendes na época denunciou que estávamos vivendo em um “Estado policialesco” e que os pilares constitucionais do Estado de Direito estavam sob risco.

A Satiagraha rendeu mais duas polêmicas a Mendes: o habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas e, por consequência, a briga com o juiz Fausto de Sanctis. Foi do ministro a decisão de libertar Dantas por duas vezes num período de dois dias. Mendes mandou soltar o banqueiro em 9 de julho de 2008, de Sanctis mandou prender horas depois e o ministro do STF concedeu novo habeas corpus. A atitude gerou uma grita no meio jurídico. Juízes e procuradores se uniram contra Mendes e em defesa de Sanctis. Chegaram até a cogitar um impeachment para o presidente do STF, pedido que não foi para frente.

Revista: Lula teria procurado ministro do STF para adiar julgamento do mensalão

Divulgação/STF
Mendes assumiu a cadeira de ministro do STF em 2002

Mendes também teve de responder sobre conflitos entre o público e o privado por ser sócio de uma escola privada em Brasília que oferece cursos de graduação e pós-graduação na área de Direito. A suspeita é de que o cargo de ministro do STF ajude, mesmo que indiretamente, nos negócios. Em resposta, Mendes negou irregularidades e afirmou que não há nenhum impedimento para a sociedade.

Natural de Diamantino, cidade a 200 km de Cuiabá (MT), Mendes assumiu a cadeira de ministro do STF em 2002, no lugar de Néri da Silveira, por indicação do presidente Fernando Henrique Cardoso. A nomeação causou alvoroço no meio jurídico porque na época alguns juristas questionavam o fato de Mendes ter sido advogado-geral da União do governo tucano. Os questionamentos não surtiram efeito e ele tomou posse. Sete anos depois, Dias Toffoli, indicado por Lula, repetiu a trajetória de Mendes: pulou da AGU direto para o STF.

    Leia tudo sobre: gilmar mendeslulastfmensalão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG