Serra recebe apoio de Trípoli, mas desconversa sobre Aníbal

“Já era para ter acontecido uma conversa entre eles", diz coordenador da pré-campanha

Fábio Matos, iG São Paulo |

Cinquenta dias depois de ter sido indicado o pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo por meio de prévias que mobilizaram quase 7 mil militantes tucanos, o ex-prefeito e ex-governador José Serra recebeu na noite desta segunda-feira (7) o apoio formal de lideranças locais ligadas ao deputado federal e terceiro colocado nas prévias, Ricardo Trípoli. O evento aconteceu no Edifício Joelma, no centro da capital paulista, na sede municipal do partido.

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AE
O pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, acertou na segunda o apoio do deputado Ricardo Trípoli


Apesar do apoio entusiasmado da militância que votou em Trípoli nas prévias realizadas no dia 25 de março, Serra não demonstrou tanta empolgação ao ser questionado sobre o possível apoio de seu outro concorrente nas prévias, o secretário estadual de Energia de São Paulo, José Aníbal. Serra obteve 52,1% dos votos tucanos nas prévias, seguido por Aníbal (31,2%) e Trípoli (16,7%).

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Logo após o encerramento do evento, cercado por um batalhão de jornalistas, Serra foi evasivo ao responder sobre o possível engajamento de Aníbal em sua campanha à prefeitura de São Paulo. “O Edson Aparecido (coordenador da pré-campanha do tucano) fez algum contato com o Zé Aníbal nos últimos dias, mas não sei (os desdobramentos)”, despistou o pré-candidato do PSDB.

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Perguntado se considerava importante o apoio de Aníbal à sua pré-campanha, o ex-governador de São Paulo voltou a ser econômico nas palavras. “É importante que todos estejam integrados à campanha”, limitou-se a dizer.

Ouvido pelo iG sobre os motivos da ausência de Aníbal no evento desta noite, Edson Aparecido demonstrou grande otimismo na participação do secretário na campanha de Serra. “A nossa intenção é fazer nos próximos dias um evento nos mesmos moldes deste aqui para selar o apoio da militância do Aníbal ao Serra”, disse. “Já era para ter acontecido uma conversa entre eles na semana passada, mas houve um imprevisto e não foi possível. Estamos conversando e tenho certeza de que ele estará conosco e nos ajudará muito na campanha.”

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Durante o processo de prévias que definiram a escolha de Serra como pré-candidato tucano a prefeito de São Paulo, José Aníbal fez críticas públicas à postura do colega de partido, que só decidiu participar do processo no final de fevereiro, o que atrasou a votação em quase um mês. Além disso, Aníbal não aprovou a retirada das pré-candidaturas do ex-secretário estadual de Cultura de São Paulo, Andréa Matarazzo, e do secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, que decidiram não concorrer e anunciaram apoio a Serra. Mais ligado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), Aníbal subiu o tom das críticas na reta final das prévias e conclamou a militância tucana a votar pela renovação.

Convocação da militância

O evento desta noite, inicialmente programado para ter início às 20h, começou pouco depois das 20h30, quando Serra, Trípoli, o vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos (PSD) e o deputado federal Walter Feldman (PSDB) chegaram ao auditório do Edifício Joelma e foram calorosamente aplaudidos pela militância tucana.

“Você tem aqui um pessoal muito aguerrido. Com esse time aqui, não dá para perder eleição”, começou dizendo Trípoli, o primeiro a falar. “As prévias foram uma grande lição para o nosso partido. Essa é a principal diferença em relação ao nosso adversário. Eles, de maneira antidemocrática e ditatorial, escolheram um candidato sem ouvir ninguém”, alfinetou o deputado tucano, em alusão à indicação do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, como pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, sem prévias e por influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estarei aqui, à frente, para o que você precisar, Serra. É só me ligar”, disse Trípoli ao ex-governador.

“Essa não é uma reunião de incorporação”, afirmou Serra ao tomar a palavra. “Aqui não existem grupos. Vamos trabalhar juntos”, afirmou o tucano, recebendo aplausos da militância. “A campanha somos nós, o que estão aqui e os que não estão aqui. Vamos fazer parte dessa caravana, a caravana da nossa vitória.”

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