Putin acusa oposição de não ter programa nem líderes

Premiê russo descarta revisar os números da votação parlamentar e acusa seus rivais políticos de tentarem deslegitimar as eleições

iG São Paulo |

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou nesta terça-feira a oposição de tentar deslegitimar o processo eleitoral na Rússia e criticou a falta de líderes com objetivos claros.

"Eles não têm um programa unificado, meio claros e compreensíveis para alcançar seus objetivos - que também não são claros - ou pessoas com capacidade de alcançar algo concreto", declarou Putin.

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AP
Premiê russo Vladimir Putin durante encontro com partidários em Moscou

"E então você tem uma situação na qual as pessoas falam sobre deslegitimar e desvalorizar tudo que acontece na esfera pública, sobretudo as eleições".

Durante um encontro com seus partidários em Moscou, o premiê afirmou que as eleições de março, na qual ele tentará garantir a presidência , deveriam ser transparentes e justas, mas rejeitou os pedidos para uma revisão dos números da votação parlamentar, marcada por denúncias de fraude em favor de seu partido, o Rússia Unida.

O Rússia Unida de Putin e do atual presidente russo Dimitri Medvedev conquistou a maioria em uma eleição acirrada no início do mês, apesar de supostas irregularidades apontadas para alavancar o número de votos.

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Dezenas de milhares de russos saíram às ruas para protestar desde então, reivindicando a saída de Putin do poder. Dentre as manifestações, Moscou presenciou a maior demonstração de descontentamento desde a queda da União Soviética em 1991 em uma marcha ocorrida no final de semana.

Putin, que foi presidente entre 2000 e 2008 manteve seu poder ao se tornar primeiro-ministro, e respondeu aos protestos deslegitimando os manifestantes, apontando-os como marionetes do ocidente que trabalham para enfraquecer a Rússia.

Ele, novamente, rejeitou os pedidos para que fosse realizada uma nova eleição parlamentar, dizendo que "não pode haver qualquer conversa sobre rever isso".

Ao mesmo tempo, ele pediu aos seus partidários que garantissem a justiça na votação presidencial para evitar qualquer possibilidade de crítica, e discutiu os detalhes de sua ideia de colocar câmeras nos colégios eleitorais.

Ele também sugeriu que as urnas sejam transparentes. "Como candidato, eu não preciso de fraudes eleitorais", disse Putin. "Eu quero que a eleição seja o mais transparente possível. Eu quero confiar na vontade do povo, na confiança do povo e não faz sentido trabalhar se isso estiver faltando."

Pouco antes, Putin e Medvedev lançaram um conjunto de propostas para reformas políticas para amenizar a insatisfação popular. As propostas incluem maior flexibilidade nas regras para o registro de partidos políticos e a restauração de eleições diretas para os governos das províncias, abolidas por Putin.

Mas os líderes da oposição rejeitaram as propostas do governo classificando-as como "de fachada" e prometeram continuar com os protestos. Aleksei Navalny , um advogado e popular blogueiro que tem sido uma peça-chave por detrás das manifestações, prometeu que cerca de um milhão de manifestantes tomaria as ruas antes das eleições presidenciais.

Em um movimento surpreendente, que reflete a procura do governo para responder aos protestos, o ex-ministro das Finanças Alexei Kudrin, que continua sendo próximo a Putin, participou da manifestação do fim de semana e se uniu ao coro que pedia a demissão do chefe da Comissão Central de Eleições.

Kudrin também propôs o estabelecimento de um painel de discussão no qual os manifestantes e as autoridades do governo poderiam trocar ideias, pavimentando assim um caminho para as reformas. Ele até mesmo sugeriu uma nova eleição parlamentar para o ano que vem.

Ele disse ao jornal Vedomosti nesta terça-feira que se encontrou com Putin antes da marcha e propôs que ele servisse como um mediador entre os manifestantes e o governo. Kudrin insistiu que sua atitude foi fruto de uma iniciativa própria, e que o encontro com Putin demonstrava que um "diálogo é possível".

Alguns especialistas vêm no pronunciamento de Kudrin na manifestação parte dos esforços de Putin para amenizar o descontentamento da população.

Com AFP, AP e Reuters

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