Gerações lutam para influenciar reconstrução japonesa

Após devastação causada por tsunami, Japão discute se cidades devem ser modernizadas ou reconstruídas como eram antes

The New York Times |

Aos 39 anos, Yoshiaki Suda, o novo prefeito de Onagawa, no Japão, cidade destruída pelo tsunami de março do ano passado, supervisiona uma comunidade na qual a maioria dos votos, do dinheiro e da influência se encontra entre a sua população cada vez mais velha. Porém, para garantir um futuro para Onagawa ele deve reconstruí-la de maneira a torná-la mais atraente para as gerações mais novas.

"Esse é o problema mais difícil de se lidar", disse Suda. "Para quem iremos reconstruir a cidade?"

Leia também: Tragédias como tsunami no Japão levam a inovações tecnológicas

NYT
Tsunami causou danos em porto pesqueiro de Onagawa, no Japão (04/12/2011)

A reconstrução de Onagawa e do resto da costa atingida pelo tsunami pode ser uma prévia do que pode vir a ser um dos testes mais críticos que o Japão terá que enfrentar nas próximas décadas. Em um país no qual o poder está desproporcionalmente distribuído entre os idosos - o Japão tem a população mais idosa do mundo -, os escassos recursos devem ser usados para construir uma sociedade que olha tanto para o futuro quanto para o passado?

O conflito entre os interesses geracionais fica mais claro em Onagawa, uma cidade de 8,5 mil moradores com uma idade média de 49,5 anos, acima da média nacional de 45 anos.

O crescente debate sobre a reconstrução de Onagawa ressalta como os japoneses idosos, mais apegados à sua terra e costumes, estão exercendo uma influência desproporcional sobre os governos locais para aprovar projetos de reconstrução que diferem do objetivo a longo prazo de Tóquio de criar comunidades sustentáveis.

O debate em Onagawa gira em torno do futuro de sua população de rápido envelhecimento e de suas vilas de pescadores cada vez mais despovoadas, acessíveis apenas por estradas que cortam montanhas sinuosas. Três outras aldeias, localizadas em duas ilhas próximas, dependem de uma bolsa que funciona apenas três dias por semana para obter acesso ao continente.

Após o tsunami ter destruído as 15 aldeias de pescadores que fazem parte de Onagawa, Nobutaka Azumi, o prefeito na época, propôs um plano de reconstrução que parecia suficientemente sensato: o de consolidar as aldeias. Ter apenas algumas comunidades centralizadas seria uma maneira de economizar o dinheiro da cidade, disse Azumi, e talvez aumentar suas chances de sobrevivência a longo prazo.

Mas os anciãos contestaram essa decisão, dizendo que queriam que o governo reconstruísse suas aldeias como eram antigamente, para que eles pudessem passar seus últimos anos nelas. Os residentes mais jovens, muitos dos quais apoiaram a consolidação, estavam um número bem menor e puderam apenas resmungar entre si.

Em Tóquio, as autoridades responsáveis pela reconstrução disseram que estão cientes de que as vozes dos jovens não estão sendo propriamente ouvidas.

"É um problema extremamente difícil", disse Yoshio Ando, funcionário na Sede da Reconstrução.

Por Norimitsu Onishi

    Leia tudo sobre: japãoterremototsunamitremorreconstrução

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG