Coreia do Norte faz comentário sexista sobre presidente recém-eleita do Sul

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Pyongyang culpa aumento das tensões na península por 'poderoso rabo de saia' de Seul; país já fez referências semelhantes no passado, ao chamar Hillary Clinton de 'ministro de saia'

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A Coreia do Norte fez seu primeiro ataque pessoal direto contra a primeira presidente mulher da Coreia do Sul desde sua posse, culpando o aumento das tensões na península coreana por seu poderoso “rabo de saia”.

Ao visar à presidente Park Geun-hye, a Coreia do Norte acrescentou um elemento curioso para o ataque verbal que implantou desde que os EUA e a Coreia do Sul deram início a um exercício militar conjunto em 1º de março, seguido por uma nova rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

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A nova presidenta da Coreia do sul, Park Geun-hye (C), chega para jantar oficial em casa presidencial em Seul (foto de arquivo)

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"Esse frenesi criado pelos belicistas da Coreia do Sul está vinculado àquela que ocupou" a Casa presidencial Azul, disse o Ministério das Forças Armadas Populares do Norte, em um comunicado, referindo-se a Park, que voltou para a residência 33 anos depois que seu pai, o ex-presidente Park Chung-hee, que foi assassinado.

A declaração, divulgada pela Agência Oficial de Notícias Central da Coreia do Norte, reiterou que o Norte não irá desistir de suas armas nucleares, chamando-as de uma garantia de segurança contra os Estados Unidos.

"Belicistas deveriam manter em mente que a Coreia do Norte não está mais contida", disse, acrescentando que anulou o cessar-fogo da Guerra da Coreia.

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No linguajar de autoridades da Coreia do Norte, durante momentos de tensão com o mundo exterior, comentários sexistas e pessoais não são incomuns. O país já havia chamado Hillary Clinton, a ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, de "ministro de saia", e considerou vários oficiais sêniores dos Estados Unidos e autoridades da Coreia do Sul de "escória humana" e "maníacos de guerra”.

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Costumava chamar o ex-presidente Lee Myung-bak, a quem Park substituíu no dia 25 de fevereiro, de "rato" e sua mídia de Estado realizava charges que mostravam Lee sendo dilacerado e os soldados disparando rifles e atirando machados em sua imagem. Mas até agora, a Coreia do Norte não havia atacado diretamente a Park.

Park lembrou o Norte de que o Sul esteve aberto para um diálogo para "construir confiança", enquanto prometeu uma forte resposta a uma provocação e alertou que a busca do Norte de armas nucleares iria acabar em sua "autodestruição".

"Se necessário, pretendemos enviar uma mensagem para a Coreia do Norte", disse Kim Haing, porta-voz de Park, acrescentando que as duas Coreias ainda possuíam linhas de comunicação abertas mesmo após o Norte ter cortado uma linha da Cruz Vermelha e mais recentemente uma linha direta com os militares com a Coreia do Sul.

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Apesar da retórica estridente, autoridades disseram que não houve sinais de hostilidades ao longo da fronteira intercoreana. Centenas de sul-coreanos estão se deslocando diariamente para o complexo industrial conjunto na cidade de fronteira com a Coreia do Norte de Kaesong.

A Coreia do Sul disse que as ameaças da Coreia do Norte foram destinadas a pressionar os Washington e Seul para retornarem à mesa de negociações com concessões. Mas seus soldados também mantiveram-se em alerta para um possível ataque militar como o ocorrido de 2010, quando uma barragem de artilharia em uma ilha fronteiriça da Coreia do Sul deixou quatro mortos.

A Coreia do Norte quer que que o Sul remova a proibição do comércio e do investimento que o governo de Lee impôs sobre a Coreia do Norte após o naufrágio de um navio de guerra sul-coreano em 2010, que matou 46 marinheiros e foi atribuído a um ataque de um torpedo lançado pela Coreia do Norte. Ela também exigiu que a Coreia do Sul honrasse os últimos acordos intercoreanos que prometiam investimentos de grande escala.

O governo de Park disse que, primeiramente, a Coreia do Norte deve ganhar sua "confiança" e dizer que provocações desse tipo apenas piorarão seu isolamento.

Por Choe Sang Hun

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