A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou pela primeira vez nesta terça-feira que o Irã é suspeito de conduzir experimentos secretos cujo único propósito é o desenvolvimento de armas nucleares.
A conclusão está em relatório da agência nuclear da ONU que circulou para seus 35 membros e para o Conselho de Segurança da ONU. O documento é o sinal mais forte de que Teerã tenta construir um arsenal nuclear, apesar de alegações ao contrário. Com especulações de que Israel estuda uma resposta militar, o relatório abre um novo caminho de confronto entre o Ocidente e o Irã.
De acordo com o documento, enquanto parte do trabalho nuclear secreto do Irã pode ter propósitos pacíficos, "outros são específicos para armas nucleares". Um anexo de 13 páginas ao relatório da agência sobre o Irã detalha inteligência e pesquisa da AIEA que mostram que Teerã trabalha em todos os aspectos de pesquisa com o objetivo de construir uma arma, incluindo produzir uma ogiva para um míssil.
O relatório foi precedido de especulações na mídia israelense sobre supostos planos de ataques de Israel contra locais nucleares do Irã. Os EUA e seus aliados devem usar o aguardado relatório para pressionar por mais sanções contra o país produtor de petróleo.
Teerã nega as acusações, dizendo que elas não têm fundamento. O país diz que seu programa é pacífico e busca a geração de eletricidade.
Em seu mais recente relatório sobre o Irã, a AIEA detalha todos os seus conhecimentos sobre o suposto programa secreto de armas nucleares da República Islâmica, incluindo:
- aquisição clandestina de equipamento e projetos necessários para fazer tais armas atômicas;
- testes de explosivos e desenvolvimento de detonador para disparar carga nuclear;
- desenhos de computador do centro de uma ogiva nuclear;
- trabalho preparatório para um teste de armas nucleares;
- desenvolvimento e montagem de uma carga nuclear para seu míssil de alcance intermediário Shahab 3 (arma que pode atingir Israel, seu arqui-inimigo).
Todas as opções sobre a mesa
Antes da divulgação do relatório, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, alertou para um possível ataque militar israelense contra o programa nuclear iraniano, afirmando, porém, que Israel ainda não havia tomado uma decisão a respeito. À Rádio Israel, ele afirmou não esperar que nenhuma nova sanções contra Teerã pudesse persuadir o país a deixar sua posição nuclear, acrescentando: "Continuamos recomendando a nossos amigos no mundo e a nós mesmos a não descartar nenhuma opção da mesa."
A frase "todas as opções sobre a mesa" é frequentemente usada por políticos israelenses para se referir a uma ofensiva militar, e membros do governo israelense indicaram recentemente que um ataque era provavelmente uma forma mais efetiva de parar o programa nuclear do Irã do que a diplomacia contínua.
*Com AP e Reuters
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