Americano se referiu à presidenta como 'amiga' e a convidou para visitar os Estados Unidos em 2012

No seu primeiro encontro bilateral desde que chegou em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff conversou por quase meia hora com o presidente americano Barack Obama, que se referiu a ela como “amiga” no seu discurso e a convidou para visitar os Estados Unidos no início do ano que vem. A data da viagem ainda não está definida e isso deverá ser feito pelas duas chancelerias.

Dilma e Obama trataram sobre a Líbia e a crise econômica europeia na reunião
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Dilma e Obama trataram sobre a Líbia e a crise econômica europeia na reunião

“Foi uma conversa amistosa, seguida de um rápido balanço da visita do presidente Obama ao Brasil”, disse o ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota ao fim do encontro.

Dilma e Obama conversaram sobre a crise econômica europeia e a presidenta apontou ser necessário um diálogo mais aprofundado sobre os desafios que países como a Grécia, Espanha e Itália apresentam para a economia mundial, antes da próxima reunião do G-10. A melhor oportunidade para o Brasil e os EUA tratarem desse assunto, segundo Obama e Dilma, será durante a reunião do ministro da Fazenda Guido Mantega com o Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, em Washington essa semana.

Os outros assuntos abordados na reunião bilateral foram educação, energia e a iniciativa do Governo Aberto , três temas nos quais o Brasil e os EUA pretendem aumentar a cooperação. Os dois presidentes também falaram rapidamente sobre a Líbia e a necessidade do apoio internacional ao país nesse momento de formação de novo governo.

Nesta terça, Obama se reuniu com o presidente do governo interino do país africano, Mustafa Abdul Jalil , e garantiu apoio na reconstrução do país, pós-regime de Muamar Kadafi. Ele alertou que a Líbia enfrentará períodos difíceis para consolidar a democracia e viver com liberdade.

A falta de um diálogo sobre a adesão do Estado palestino à ONU chamou a atenção, porque esse é um dos temas mais importantes da Assembleia Geral. O Brasil já reconheceu o Estado Palestino no ano passado, e existe expectativa que a presidenta o defenda em seu discurso de abertura da Assembleia na manhã de quarta-feira.

Os Estados Unidos, ao contrário, deverão vetar a votação sobre a Palestina no Conselho de Segurança da ONU essa semana. “Eu entendo que não houve diálogo sobre esse tema porque os dois lados sabem perfeitamente que têm posições completamente opostas nesse assunto”, disse um diplomata brasileiro acompanhando a presidenta.

Dilma e Obama também conversaram sobre comércio e a necessidade de diminuir o desequilíbrio da balança comercial entre os dois países, pois o Brasil quer aumentar as suas exportações aos EUA.

México

Depois do encontro com Obama, Dilma teve uma reunião com o presidente mexicano Felipe Calderón. Os temas principais foram energia - afinal os dois governantes são ex-ministros do setor - e comércio. O México investe cerca de US$ 17 bilhões no Brasil todos os anos, mas demonstrou interesse em aumentar esse valor. A presidenta brasileira disse que os empresários brasileiros também querem uma maior sinergia comercial com o México.

Calderón vai assumir a presidência do G-20 em 2012, então Dilma conversou com ele sobre a cúpula do grupo a ser realizada em junho na California. Assim como Obama, o presidente mexicano convidou a presidenta para uma visita.

Discurso

O ministro Patriota reforçou a ideia de que o discurso de Dilma, como a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral na história da ONU, será histórico. “Isso acaba criando muita expectativa, por isso, prestem muita atenção no que a presidenta vai falar”, disse o ministro. Tradicionalmente, o Brasil é o responsável por abrir os debates gerais da Assembleia.

Dilma disse na segunda-feira que sente frio na barriga sempre que fala em público, e principalmente em uma situação histórica como essa na ONU. A presidenta passou a manhã desta terça inteira no seu apartamento no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, trabalhando no seu pronunciamento. Ela viu diversos ministros durante a manhã e, na hora do almoço, chamou a ministra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas, para repassar o discurso.

A expectativa é que Dilma fale sobre a Palestina e coloque muita ênfase na importância da reforma da ONU, com a criação de cadeiras permanentes no Conselho de Segurança para países em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia e a África do Sul.

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