Brasileiros dos dois lados do conflito israelo-palestino relatam medo da guerra

Carioca Leila Shahin, que vive na Cidade de Gaza, e o paulista Leonardo Mandelbaum, que mora no sul de Israel, quase não dormem desde início da Operação Coluna de Nuvem

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A carioca Leila Shahin, que vive na Cidade de Gaza, e o paulista Leonardo Mandelbaum, que mora em Ashkelon, no sul de Israel, quase não dormem desde o início da chamada Operação Coluna de Nuvem, lançada na quarta feira .

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Em conversas com a BBC Brasil, ambos descrevem experiências de extrema tensão em consequência da situação de violência que acompanham. "Já faz quatro dias que minha casa treme constantemente, as paredes tremem, as janelas tremem, até a cama treme", diz Shahin, de 39 anos.

Shahin, que tem uma filha de um ano, conta que desde que os bombardeios israelenses à Faixa de Gaza começaram, resolveu se mudar para a casa da família de seu marido.

"Junto com a família me sinto mais segura", diz. "A situação aqui está insuportável." "Daqui da nossa casa podemos ver as explosões, o barulho é terrível, parece que o mundo vai acabar", relata. "A casa da minha vizinha foi destruída e toda a família dela se mudou para a casa de parentes. Uma mesquita também foi destruída", conta.

"Martírio"

Durante a madrugada deste sábado, o Exército israelense bombardeou 200 alvos na Faixa de Gaza, incluindo o prédio da sede do governo do Hamas e o Ministério do Interior. O governo israelense autorizou o recrutamento de 75 mil soldados da reserva , mais de sete vezes o número que foi recrutado na ofensiva de 2008-2009, quando 10 mil reservistas foram recrutados.

Segundo analistas militares, as tropas israelenses estão se preparando para uma invasão terrestre à Faixa de Gaza. "Tenho esperança de que tudo isso acabe logo", diz Shahin.

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"Não é possível que haja uma invasão terrestre, o mundo não vai deixar que o que aconteceu em 2008 se repita", afirma. "Há um criador lá em cima que vai tomar conta de nós, não vai permitir que isso aconteça", diz. "A gente quer viver, estudar, ter uma vida normal. Eu ainda quero terminar de decorar o Alcorão, já decorei a metade. Também ainda quero fazer a peregrinação a Meca, ainda não peregrinei", comenta. "Mas se tiver de morrer, vou morrer no martírio, que é uma morte pela causa divina, e não uma morte à toa, como a morte de um rato ou de uma barata", observa.

"Dias difíceis"

Do outro lado do conflito, a 14 km de Gaza, encontra-se o brasileiro Leonardo Mandelbaum, de 57 anos. Mandelbaum, que mora na cidade de Ashkelon, diz à BBC Brasil que os últimos dias "têm sido muito difíceis".

"Já perdi a conta de quantas vezes tive de correr para o abrigo antiaéreo quando soaram os alarmes, pelo menos 30 vezes, em casa e no trabalho, de dia e de noite", relata. Desde o início dos confrontos, grupos palestinos - Hamas, Jihad Islâmica, Comitês de Resistência Popular e facções salafistas - lançaram cerca de 650 foguetes contra cidades israelenses, atingindo principalmente o sul do país.

Ashkelon, que fica perto da Faixa de Gaza, é uma das cidades mais afetadas pelo clima de tensão. Os filhos de Mandelbaum moram no norte de Israel, em regiões "mais seguras", e ele mora em um apartamento juntamente com a mulher.

O casal possui o chamado "espaço protegido" no próprio apartamento. Desde a Guerra do Golfo, em 1991, a lei em Israel obriga a construção de um quarto reforçado contra ataques dentro de cada apartamento. Esses quartos têm paredes mais resistentes e janelas de ferro.

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"Terroristas"

Mandelbaum, que se mudou para Israel há dez anos, já passou por uma experiência parecida durante a ofensiva israelense à Faixa de Gaza, de dezembro de 2008 a janeiro de 2009. "Mas agora o número de foguetes que estão sendo lançados contra nossa cidade é muito maior", diz.

"Gostaria que houvesse paz, mas infelizmente os terroristas estão querendo liquidar com o Estado de Israel e não temos com quem negociar", afirma. "Essa situação faz meu estado de espírito ficar muito ruim. Tudo que quero é viver em paz", diz.

Para com Mandelbaum, a operação militar de Israel na Faixa de Gaza não vai "resolver" o problema. "Mas eles (os grupos armados palestinos) estão cada vez mais armados, agora já têm até mísseis que podem alcançar Tel Aviv e Jerusalém, e de quando em quando é necessário destruir esse arsenal todo", observa.

"Tudo isso é muito triste, porque morre muita gente inocente, a maioria do povo (palestino) é gente inocente, que não tem nada a ver com isso", diz. Até a manhã deste sábado, os ataques já haviam deixado ao menos 39 mortos do lado palestino e 3 mortos do lado israelense. O governo israelense e a liderança do Hamas afirmam que os confrontos ainda estão "longe do fim".

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