Na resolução, a AIEA expressa 'profunda preocupação' com o programa nuclear iraniano, mas não dá prazos nem ameaça com punições

O Conselho de Diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) adotou nesta sexta-feira uma resolução contra o Irã, expressando sua "profunda e crescente preocupação" quanto ao seu programa nuclear.

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Diretor geral da AIEA, Yukiya Amano, do Japão aguarda pelo início da reunião em Viena, na Áustria
AP
Diretor geral da AIEA, Yukiya Amano, do Japão aguarda pelo início da reunião em Viena, na Áustria

A AIEA disse que não podia mais descartar as evidências de que o Irã estava trabalhando secretamente na fabricação de armas nucleares. Em recente comunicado, a agência afirmou que o Irã tem feito testes "relevantes para o desenvolvimento de um dispositivo nuclear".

Os Estados Unidos e seus aliados acreditam que o Irã tenta desenvolver armas nucleares, uma acusação que Teerã nega. A resolução desta sexta-feira foi aprovada por 32 votos contra dois - de Cuba e Equador - além de uma abstenção.

No entanto, o comunicado não recomenda nenhuma medida punitiva nem fixa um prazo ao Irã para que respondam às preocupações manifestadas pela agência, em uma concessão à Rússia e à China. O relatório da resolução foi elaborado na quinta-feira em Viena pelo Reino Unido, China, França, Rússia e os Estados Unidos, além da Alemanha.

A resolução diz que é "essencial que o Irã e a Agência intensifiquem seu diálogo", e pede a Teerã que "respeite plenamente e sem demora suas obrigações, de acordo com as resoluções relativas do Conselho de Segurança da ONU".

As grandes potências anunciaram na quinta-feira que iam apresentar à AIEA um projeto de resolução no qual expressam sua profunda preocupação quanto às atividades nucleares do Irã.

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A resolução dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e Alemanha "expressa uma profunda e crescente preocupação no que diz respeito aos temas não resolvidos do programa nuclear iraniano, incluindo aqueles que precisam ser esclarecidos para excluir a existência de uma possível dimensão militar".

Também na véspera, o diretor-geral AIEA, Yukiya Amano, declarou que propôs o envio de uma missão ao Irã para esclarecer os elementos do último informe da agência sobre uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano .

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