Papas João Paulo 2º e João 23 são canonizados no Vaticano

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Após cerimônia inédita realizada por papa Francisco, pontífices passam a ser chamados de São João Paulo 2º e São João 23

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Rodeado por uma multidão de milhares de fiéis que lotaram a praça de São Pedro, no Vaticano, o papa Francisco canonizou neste domingo os papas João Paulo 2º (1920-2005) e João 23 (1881-1958). A partir de agora, eles serão conhecidos não mais como papas, mas como São João Paulo 2º e São João 23, ambos santos da Igreja Católica.

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A cerimônia de canonização, que contou com a presença do papa emérito Bento 16, começou pouco antes das 10h (5h de Brasília) e durou pouco mais de 20 minutos. Como previsto no livro litúrgico, a celebração teve início com cânticos e uma oração coletiva em que foram invocados os nomes de vários santos.

Fiéis lotam a Praça de São Pedro para cerimônia de canonização de João 23 e João Paulo 2º no Vaticano. Foto: APPapa Francisco realiza cerimônia de canonização dos papas João 23 e João Paulo 2º. Foto: APPapa emérito Bento 16 recebe ajuda do lado de fora da Basília de São Pedro, no Vaticano. Foto: APRetrato de João Paulo 2º é visto na fachada da Basília de São Pedro, Vaticano
. Foto: APRetrato de João 23 é visto na fachada da Basília de São Pedro, Vaticano. Foto: APMultidões enchem a via della Conciliazione, avenida que leva à Praça de São Pedro, no Vaticano. Foto: APMultidões se reúnem no Santuário da Misericórdia de Deus em Cracóvia, Polônia, para as celebrações da canonização de João Paulo 2º. Foto: APPadre dá a comunhão para mulher na Praça de São Pedro, no Vaticano. Foto: APMenino vestido de papa boceja antes de participar de celebração da canonização na cidade de Quezon, nordeste de Manila, Filipinas. Foto: APMeninos vestidos de papas se preparam para participar de cerimônia pela canonização na cidade de Quezon, nordeste de Manila, Filipinas. Foto: APMulher usa óculos 3D enquanto reza ao assistir à transmissão da missa de canonização de João 23 e João Paulo 2º em cidade perto de Bergamo, norte da Itália. Foto: APFiéis lotam a Praça de São Pedro para cerimônia de canonização de João 23 e João Paulo 2º no Vaticano. Foto: APFreiras usam óculos 3D para assistir à transmissão da missa de canonização de João 23 e João Paulo 2º em cidade perto de Bergamo, norte da Itália. Foto: APPapa Francisco passa pela multidão depois de realizar cerimônia de canonização de João 23 e João Paulo 2º no Vaticano. Foto: APPapa Francisco (abaixo, à E) passa pela multidão depois de realizar cerimônia de canonização de João 23 e João Paulo 2º no Vaticano. Foto: APGuarda suíço é visto na Praça de São Pedro, no Vaticano. Foto: AP

Em seguida, o cardeal italiano Angelo Amato, responsável pela Congregação para as Causas dos Santos – o "ministério" da Santa Sé encarregado dos processos de canonização – solicitou ao Sumo Pontífice que declarasse santos os dois candidatos. Francisco respondeu com uma frase padrão em latim ao final da qual disse "Eu os ordeno".

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Em seguida, as relíquias dos dois papas – um frasco contendo sangue de João Paulo 2º e outro com pedaço de pele retirada de João 23 no ano de 2000, quando seu corpo foi exumado para a beatificação – foram exibidas ao público. Concluído o rito de canonização, uma missa foi celebrada por Francisco.

Cerca de 1 milhão de pessoas eram esperadas pelo evento, mas autoridades de Roma acreditam que o número final possa ter chegado a 5 milhões. Telões foram montados pela Prefeitura de Roma em quatro pontos da cidade para que os fiéis pudessem assistir ao evento.

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Além do ineditismo do evento – nunca dois pontífices foram santificados ao mesmo tempo – a Santa Sé também fez, pela primeira vez na história, uma transmissão em 3D pela TV e pela Internet, de olho no público jovem.

AP
Cortinas são vistas com retratos de João Paulo 2º (E) e João 23 (D) no Vaticano (25/4)

Estima-se que cerca de 2 bilhões de pessoas assistiram ao vivo à celebração em todo o mundo, que também foi transmitida em salas de cinema, inclusive no Brasil.

O Vaticano lançou também uma ofensiva nas redes sociais, com a criação de um site especial para a dupla canonização, uma página no Facebook e até aplicativos em dispositivos móveis para celulares e tablets.

Dois papas

Conhecido como o "Papa Bom", João 23 comandou a Igreja Católica entre 1958 e 1963. Nesse período, convocou e deu início ao Concílio Vaticano 2º, uma série de conferências que resultou em documentos sobre os novos rumos da Igreja Católica, com o intuito de aproximá-la do povo e adaptá-la à modernidade.

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Talvez mais popular entre os peregrinos, João Paulo 2º ascendeu ao Trono de Pedro em 1978 e lá permaneceu até 2005, quando morreu. Foi um dos papados mais longos da história e sua canonização foi a mais rápida da história moderna da Igreja.

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Segundo vaticanistas ouvidos pela BBC Brasil, a decisão de Francisco de canonizar os dois papas em um único dia seria uma tentativa de preencher o abismo entre duas alas opostas da Santa Sé: os "tradicionalistas", representados por João Paulo 2º, e os "reformistas", seguidores de João 23.

Grandes dimensões

Participaram da dupla canonização cerca de 150 cardeais e bispos e 6 mil padres. O Vaticano divulgou uma lista oficial com autoridades internacionais de 93 países, incluindo 24 chefes de Estado.

O único brasileiro na lista foi José Graziano da Silva, que, no entanto, representa a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), órgão ligado à ONU sediado em Roma que ele comanda desde janeiro de 2012.

Para atender aos milhares de fiéis que lotaram a Praça de São Pedro, o Vaticano e a Prefeitura de Roma mobilizaram mais de 2,4 mil policiais, cem ambulâncias e 2,5 mil voluntários, encarregados de distribuir 4 milhões de garrafas de água e 150 mil livros litúrgicos para que os fiéis pudessem acompanhar passo a passo da cerimônia.

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