Militar ucraniano é morto durante ataque à base na Crimeia, diz Ucrânia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Morte, que seria a 1ª de um confronto militar desde a incursão russa, acontece após tratado para anexação da área pela Rússia

O Exército da Ucrânia diz que um integrante das Forças Armadas foi morto nesta terça-feira em uma base ucraniana que sofreu um ataque na principal cidade da Crimeia, Simferopol, a primeira morte resultante de um confronto militar na península desde que a região foi controlada pelos russos três semanas atrás. Após o incidente, a Ucrânia autorizou seus soldados a disparar em legítima defesa.

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AP
Homens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia

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Assim que a notícia da morte do funcionário pelas mãos de agressores desconhecidos se espalhou, o primeiro-ministro ucraniano pró-Ocidente denunciou o incidente como um "crime de guerra" e pediu conversas internacionais para evitar uma escalada do conflito.

A ataque aconteceu pouco depois de o presidente russo, Vladimir Putin, e os líderes da Crimeia terem assinado um tratado para que a península seja integrada à Rússia. As potências ocidentais condenaram o tratado, e uma reunião emergencial do G7 e da União Europeia (UE) foi convocada para a próxima semana em Haia.

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Segundo o presidente interino da Ucrânia, a Rússia está anexando a Crimeia de forma semelhante à tomada nazista da Áustria e dos sudetos, na ex-Checoslováquia, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3). Foto: APIdosa segura calendário com imagem do líder soviético Josef Stalin na Crimeia enquanto assiste a pronunciamento de presidente russo (18/3). Foto: APDuas mulheres seguram bandeira em que se lê: 'Crimeia está com a Rússia' em Simferopol (16/3). Foto: ReutersMulher celebra com bandeira russa resultados preliminares de referendo em Simferopol, Crimeia (16/3). Foto: ReutersHomem pró-Rússia deposita cédula em urna durante votação sobre anexação da Crimeia pela Rússia em Bachisaray, Ucrânia. Foto: APCrimeia vota neste domingo se quer ou não se tornar parte da Rússia. Foto: AFPUma mulher pega sua cédula de votação sobre referendo na Crimeia em Simferopol, Ucrânia. Foto: APEleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia. Foto: APMulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia. Foto: APNovo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia. Foto: APCom sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia. Foto: APIdoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia. Foto: APMilitares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol. Foto: APBandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia. Foto: AP

Duas forças políticas proeminentes que participaram dos três meses de manifestações que levaram à queda do presidente Viktor Yanukovych, apoiado por Moscou, pediram à Ucrânia que corte seus laços diplomáticos com a Rússia.

O porta-voz dos militares ucranianos Vladislav Seleznyov, que falou com a Reuters por telefone da Crimeia, disse que um membro das Forças Armadas da base de Simferopol morreu em decorrência dos ferimentos. Um segundo homem, um capitão, ficou ferido.

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Seleznyov afirmou que o funcionário morto era responsável pela supervisão de uma frota de veículos na base. De acordo com ele, os agressores informaram aos funcionários ucranianos que estavam presos e confiscaram seus documentos. Não ficou claro, disse Seleznyov, quem arquitetou o ataque. Ele descreveu os agressores como "forças desconhecidas, plenamente equipadas e com os rostos cobertos".

Moscou e os líderes pró-Rússia da região negaram que forças russas estejam diretamente envolvidas, dizendo que "forças de autodefesa" estão controlando a área da península do Mar Negro.

O povo da Crimea, sede de Frota Russa do Mar Negro, votou majoritariamente a favor da anexação à Rússia em um referendo do final de semana, e um tratado para incorporar a região foi assinado em Moscou nesta terça-feira.

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O primeiro-ministro Arseny Yatsenyuk, que assumiu o cargo após a saída de Yanukovych, afirmou que o conflito "está deixando de ser político para ser militar por causa dos soldados russos".

"Hoje, soldados russos começaram a atirar em integrantes das Forças Armadas ucranianas, e isso é um crime de guerra sem qualquer estatuto de limitação", disse em uma reunião no Ministério da Defesa.

Yatsenyuk declarou que ordenou que o ministro da Defesa ucraniano peça uma reunião com seus homólogos da Grã-Bretanha, França e Rússia - signatários de um tratado de 1994 que garante as fronteiras ucranianas - para "evitar uma escalada do conflito".

*Com Reuters e BBC

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