Morte, que seria a 1ª de um confronto militar desde a incursão russa, acontece após tratado para anexação da área pela Rússia

O Exército da Ucrânia diz que um integrante das Forças Armadas foi morto nesta terça-feira em uma base ucraniana que sofreu um ataque na principal cidade da Crimeia, Simferopol, a primeira morte resultante de um confronto militar na península desde que a região foi controlada pelos russos três semanas atrás. Após o incidente, a Ucrânia autorizou seus soldados a disparar em legítima defesa.

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Homens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia
AP
Homens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia

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Assim que a notícia da morte do funcionário pelas mãos de agressores desconhecidos se espalhou, o primeiro-ministro ucraniano pró-Ocidente denunciou o incidente como um "crime de guerra" e pediu conversas internacionais para evitar uma escalada do conflito.

A ataque aconteceu pouco depois de o presidente russo, Vladimir Putin, e os líderes da Crimeia terem assinado um tratado para que a península seja integrada à Rússia . As potências ocidentais condenaram o tratado, e uma reunião emergencial do G7 e da União Europeia (UE) foi convocada para a próxima semana em Haia.

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Segundo o presidente interino da Ucrânia, a Rússia está anexando a Crimeia de forma semelhante à tomada nazista da Áustria e dos sudetos, na ex-Checoslováquia, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Duas forças políticas proeminentes que participaram dos três meses de manifestações que levaram à queda do presidente Viktor Yanukovych , apoiado por Moscou, pediram à Ucrânia que corte seus laços diplomáticos com a Rússia.

O porta-voz dos militares ucranianos Vladislav Seleznyov, que falou com a Reuters por telefone da Crimeia, disse que um membro das Forças Armadas da base de Simferopol morreu em decorrência dos ferimentos. Um segundo homem, um capitão, ficou ferido.

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Seleznyov afirmou que o funcionário morto era responsável pela supervisão de uma frota de veículos na base. De acordo com ele, os agressores informaram aos funcionários ucranianos que estavam presos e confiscaram seus documentos. Não ficou claro, disse Seleznyov, quem arquitetou o ataque. Ele descreveu os agressores como "forças desconhecidas, plenamente equipadas e com os rostos cobertos".

Moscou e os líderes pró-Rússia da região negaram que forças russas estejam diretamente envolvidas, dizendo que "forças de autodefesa" estão controlando a área da península do Mar Negro.

O povo da Crimea, sede de Frota Russa do Mar Negro, votou majoritariamente a favor da anexação à Rússia em um referendo do final de semana, e um tratado para incorporar a região foi assinado em Moscou nesta terça-feira.

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O primeiro-ministro Arseny Yatsenyuk, que assumiu o cargo após a saída de Yanukovych, afirmou que o conflito "está deixando de ser político para ser militar por causa dos soldados russos".

"Hoje, soldados russos começaram a atirar em integrantes das Forças Armadas ucranianas, e isso é um crime de guerra sem qualquer estatuto de limitação", disse em uma reunião no Ministério da Defesa.

Yatsenyuk declarou que ordenou que o ministro da Defesa ucraniano peça uma reunião com seus homólogos da Grã-Bretanha, França e Rússia - signatários de um tratado de 1994 que garante as fronteiras ucranianas - para "evitar uma escalada do conflito".

*Com Reuters e BBC

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