'Luta de Mandela transcendeu as fronteiras nacionais e inspirou homens e mulheres a lutar por sua dignidade'

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que a luta de Nelson Mandela contra o apartheid (regime de segregação racial), cruzou as fronteiras da África do Sul e inspirou o mundo, incluindo a América do Sul e o Brasil. Segundo Dilma, Mandela teve os "olhos postos no futuro de seu país, de seu povo e de toda a África. Inspirou a luta no Brasil e na América do Sul." Mandela morreu no dia 5 de dezembro aos 95 anos.

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Presidente Dilma cumprimenta presidente dos EUA, Barack Obama, durante cerimônia em homenagem a Mandela em Johanesburgo
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"Luta de Mandela transcendeu as fronteiras nacionais e inspirou homens e mulheres a lutar por sua dignidade", afirmou Dilma em discurso durante homenagem ao ex-presidente sul-africano em Johanesburgo. "Mandela deixou lições não só para seu querido continente africano, mas para todos que buscam a liberdade, a justiça e a paz no mundo", disse.

Em discurso feito em português com tradução para o inglês, Dilma caracterizou Mandela como "personalidade maior do século 20" e foi bastante aplaudida pelo público. Ela ressaltou os laços históricos do Brasil com a África e levou uma mensagem de pesar em nome do povo brasileiro.

"Da mesma forma que os sul-africanos choram com seus cantos por Nelson Mandela, nós, nação brasileira, que trazemos com orgulho o sangue africano em nossas veias, choramos e celebramos o exemplo desse grande líder que faz parte do panteão da humanidade", disse Dilma.

A presidente foi um dos seis chefes de Estado escolhidos para discursar na cerimônia, que foi realizada sob chuva em um estádio com capacidade para mais de 90 mil pessoas.

Ela participou da cerimônia no Estádio FNB (Soccer City), palco da final da Copa do Mundo de 2010,  acompanhada pelos ex-presidentes brasileiros José Sarney (1985-1990), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

A líder brasileira discursou logo após o presidente dos EUA, Barack Obama, que pediu que o mundo reverenciasse o legado do primeiro presidente negro da África do Sul combatendo a desigualdade, a pobreza e o racismo.

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Prevista para as 7 horas locais (11 horas em Brasília), a cerimônia começou com uma hora de atraso com a execução do hino nacional, ao que se seguiram vários pronunciamentos.

Multidões convergiram para Soccer City em Soweto, subúrbio que foi um reduto de apoio à luta contra o apartheid que Mandela incorporou enquanto era um prisioneiro do regime de dominação branca durante 27 anos e então durante um frágil transição para eleições multirraciais que o tornaram presidente em 1994.

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A chuva, entretanto, afastou muitos da cerimônia. Pouco antes de seu início, o estádio com capacidade para 95 mil espectadores estava 50% cheio.

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A viúva de Mandela, Graça Machel , estava no estádio, assim como a atriz Charlize Theron, a modelo Naomi Campbell e o cantor Bono. O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, que sucedeu a Mandela, recebeu uma ovação ao se levantar. O presidente francês, François Hollande, e seu antecessor e rival político, Nicolas Sarkozy, chegaram juntos.

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Esta terça-feira marca o 20º aniversário do dia em que Mandela e o último presidente branco da África do Sul, F.W. de Klerk, receberam o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para trazer paz ao país. A data também coincide com o Dia dos Direitos Humanos da ONU.

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Imagens de Nelson Mandela com o passar dos anos são projetadas em telão durante cerimônia em sua honra em Soccer City, Johanesburgo
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Na época, Mandela disse em seu discurso de aceitação: "Vivemos com a esperança de que, enquanto ela se debate para se refazer, a África do Sul será como um microcosmo do novo mundo que deseja nascer."

Desde a morte de Mandela, Johanesburgo tem visto um clima nublado e chuvoso incomum para a época - um sinal, segundo as tradições africanas, da passagem de uma pessoa querida que está sendo recebida na vida após a morte por seus antepassados.

"Na nossa cultura, a chuva é uma bênção", disse Harry Tshabalala, um motorista do Ministério da Justiça. "Apenas pessoas muito grandes são homenageadas com ela. A chuva é vida. Esse é um clima perfeito para nós nessa ocasião."

*Com Reuters e AP

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