Diplomata americano é detido na Rússia acusado de espionagem

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chancelaria russa declarou Ryan Fogle persona non grata e ordenou que ele se retirasse imediatamente do país; segundo Rússia, ele trabalhava para a CIA

Um diplomata americano disfarçado com uma peruca loira foi detido enquanto tentava recrutar um agente da inteligência russa em Moscou, informou nesta terça-feira (14) o Serviço de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB), acrescentando que o americano trabalhava para a CIA.

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Ryan Fogle, terceiro secretário da Embaixada dos EUA em Moscou, é retratado pelo Serviço de Segurança russo

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Ryan Fogle, terceiro secretário da Embaixada dos EUA em Moscou, carregava um equipamento técnico especial, disfarces, instruções por escrito e uma grande soma de dinheiro quando foi detido durante a madrugada, segundo informou o FSB.

O serviço de segurança disse que Fogle tentava recrutar um agente de contraterrorismo russo que é especializado no Cáucaso, uma região no sul da Rússia que inclui a Chechênia e o Daguestão. Os suspeitos pelo ataque à Maratona de Boston são de etnia chechena e o irmão mais velho passou seis meses no ano passado no Daguestão, epicentro de insurgência islâmica.

Os investigadores americanos têm trabalhado com os russos para tentar entender se Tamerlan Tsarnaev, que foi morto em tiroteio com policiais, estabeleceu contatos com militantes operando no Daguestão. Autoridades russas expressaram indignação nesta terça-feira pelos EUA realizaren operações de espionagem em um momento em que os presidentes dos dois países trabalham para melhorar a cooperação contraterrorista.

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O governo russo declarou Fogle, que foi entregue aos funcionários da embaixada americana, persona non grata e ordenou que o diplomata deixasse a Rússia imediatamente, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores. Ele tem imunidade diplomática, o que o protege da prisão.

É a primeira vez em dez anos que um diplomata americano foi acusado publicamente de espionagem e o caso pode agravar as já tensas relações entre Rússia e EUA. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador Michael McFaul para quarta-feira. McFaul, que estava participando de uma sabatina no Twitter quando a detenção foi anunciada, disse que não comentaria as acusações de espionagem.

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Se referindo aos recentes esforços feitos pelos dois países para melhorar os mecanismos de cooperação a fim de conter o terrorismo internacional após o ataque em Boston, a chancelaria russa disse que "tais ações provocativas com o espírito da Guerra Fria não ajudam a fortalecer a confiança mútua".

Apesar do fim da Guerra Fria (1945-1991), a Rússia e os EUA continuam mantendo ativas operações de espionagem um contra o outro. No ano passado, vários russos foram condenados em casos separados por serem espiões dos EUA e sentenciados a um longo período na prisão.

A TV estatal russa mostrou fotos de um homem que seria Fogle, usando um boné de beisebol sobre uma peruca loura, deitado com o rosto no chão. O homem, sem a peruca, também foi mostrado em uma mesa no escritório do FSB. Duas perucas, uma bússola, um mapa de Moscou, um canivete de bolso, três pares de óculos de sol e pacotes com notas de 500 euros estavam entre os itens colocados sobre a mesa.

AP
Homem passa pela entrada da Embaixada dos EUA em Moscou, na Rússia

A TV estatal russa também mostrou uma carta escrita no computador que descrevia instruções para o agente russo que seria alvo da tentativa de recrutamento. A carta, escrita em russo e endereçada a um "querido amigo", oferece US$ 100 mil para "discutir sua experiência, conhecimento e cooperação" e mais de US$ 1 milhão para cooperação a longo prazo. A carta também incluia instruções para abertura em uma conta de email no Gmail para ser usada como canal de comunicação. É assinada apenas como "Seus amigos".

Em Washington, a Casa Branca afirmou que essas questões devem ser tratadas com o Departamento de Estado, que até agora não se pronunciou. A CIA se recusou a comentar o caso.

Com AP

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