Colômbia rebate decisão do Uruguai de legalização controlada da maconha

Para o presidente Juan Manuel Santos, questão das drogas é um problema internacional e deve ser tratada em conjunto

Anderson Dezan - iG Rio de Janeiro |

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, rebateu nesta quinta-feira a decisão do governo uruguaio de apresentar um projeto de lei para a "legalização controlada" da maconha . Para o chefe de Estado colombiano, a venda de drogas é um problema internacional e não pode ser tratada de forma unilateral. A Colômbia é um dos maiores produtores de maconha do mundo e trava há anos uma guerra contra os cartéis do tráfico.

Projeto: Uruguai propõe controle estatal sobre produção e distribuição de maconha

AP
Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na Rio+20

"A decisões unilaterais não são as melhores. Esse é um problema que tem de ser enfrentado por uma comunidade internacional de países. Se um país legaliza a venda e outro não, temos um problema. Precisamos de foco comum no assunto e não individual", afirmou Santos, durante coletiva de imprensa na conferência Rio+20. "Somos o país que mais sofre com as consequências do narcotráfico", completou.

Durante o pronunciamento aos repórteres, o presidente colombiano ainda comentou os avanços de seu governo no combate às áreas cultivadas de maconha e folhas de coca. A proposta do Uruguai implica no controle por parte do Estado da produção e distribuição da maconha. Segundo o governo, a medida tem como objetivo reduzir a insegurança no país. O Uruguai é o primeiro país da América Latina a apresentar um projeto para legalizar o cultivo e a venda de maconha.

Controle

Na quarta-feira, o governo uruguaio anunciou a intenção de o Estado assumir um controle "estrito" sobre a produção e distribuição da maconha para combater o narcotráfico, a criminalidade e o consumo de pasta base de cocaína, uma droga mais forte e aditiva associada ao aumento da delinquência juvenil. A decisão é inédita na América Latina.

O ministro da Defesa do Uruguai, Eleuterio Fernández Huidobro, apresentou o projeto de lei juntamente com outros funcionários do gabinete em meio ao anúncio de um pacote de 15 iniciativas para combater a insegurança nas ruas.

Entre as outras medidas antiviolência sob análise do governo do presidente uruguaio, José Mujica, estão o agravamento das penas sobre corrupção policial e tráfico de cocaína, além de maior rigor contra menores delinquentes. Também estão previstos um fundo nacional para indenizar as vítimas de crimes violentos e um sistema especializado em denúncias de violência doméstica.

Atualmente, o Parlamento uruguaio analisa três projetos de lei, de distintos partidos, que preveem a legalização do cultivo de maconha para consumo próprio, mas o governo teme que a medida seja utilizada pelo narcotráfico para transformar o país em um "centro de fabricação e distribuição internacional de drogas", disse Fernández Huidobro.

No entanto, o Executivo pretende compartilhar as propostas com a opinião pública para causar um debate nacional antes de aprová-las. Para justificar as medidas, Huidobro explicou que o consumo de maconha abrange um universo aproximado de 300 mil pessoas que disseram ter consumido a droga alguma vez, ou seja, cerca de 10% dos 3,3 milhões de uruguaios.

*Com EFE e AFP

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