Gregos decidem nas urnas seu futuro na Europa

Os mais de 5.000 colégios eleitorais abriram às 7h (horário local, 1h de Brasília) e devem fechar às 19h (13h)

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Eleitores durante votação neste domingo na Grécia

Os colégios eleitorais da Grécia abriram neste domingo suas portas para os 9.850.802 eleitores convocados às urnas para escolher um novo Parlamento por um mandato de quatro anos, depois que os resultados das eleições do dia 6 de maio impediram a formação de uma coalizão de Governo.

Este é considerado o pleito mais importante desde a queda da ditadura, segundo definem os meios de imprensa gregos, e cujo resultado pode condicionar a permanência do país na eurozona.

Leia também:  Conheça os dois líderes que dominam o cenário político na Grécia

Os mais de 5.000 colégios eleitorais abriram às 7h (horário local, 1h de Brasília) e devem fechar às 19h (13h). Pouco depois do fechamento das urnas se poderão conhecer as primeiras pesquisas de boca de urna feitas por empresas para os canais de televisão.

De acordo com o Ministério do Interior, por volta das 21h30 (15h30) estão previstos os primeiros resultados oficiais da apuração.

"As eleições começaram com normalidade. Os funcionários das Prefeituras, das regiões e do Ministério do Interior estão em seus postos. Tudo é normal e transcorre como tinha sido planejado", afirmou o ministro do Interior, Andonis Manitakis, duas horas depois do começo da votação.

Reuters
Pôsteres de candidatos às eleições na Grécia

Concorrem no total cerca de 20 partidos políticos, que vão desde a extrema direita neonazista à extrema esquerda, com os conservadores da Nova Democracia e a esquerda da Syriza como favoritos para ganhar as eleições, segundo as pesquisas.

As últimas pesquisas privadas realizadas para os partidos políticos, às quais teve acesso a Agência Efe, apontavam que ambas as legendas empatarão com entre 28% e 29% dos votos, ou dão uma leve vantagem aos conservadores.

Espera-se que os sete partidos que conseguiram representação no dia 6 de maio voltem a superar a barreira eleitoral dos 3% que permite entrar no Parlamento, ao qual poderia ter acesso inclusive um oitavo partido. 

Dois assuntos que estão interligados dominaram a campanha política no último mês: os pacotes de ajuda financeira recebidos pela Grécia nos últimos dois anos e a permanência do país na zona do euro, a moeda europeia.

A Grécia recebeu ajuda internacional de 110 bilhões de euros, em 2010, e 130 bilhões de euros, no ano passado. O dinheiro foi usado para que o país conseguisse pagar suas dívidas, mas grande parte da população está descontente com as condições do acordo, que exige medidas duras de redução de gastos públicos.

Apenas um dos partidos na eleição se compromete a manter os compromissos que foram firmados com autoridades financeiras internacionais e com a União Europeia. Diversas outras siglas prometem diversas medidas de rompimento – como o fim imediato da austeridade.

Euro

Para os líderes europeus, caso os gregos rejeitem o acordo que possibilitou os dois pacotes de resgate, a Grécia provavelmente terá de deixar a zona do euro, e voltar a adotar sua moeda antiga, o dracma.

Na véspera da votação, a chanceler alemã, Angela Merkel, fez um apelo ao povo grego para que mantenha seu compromisso com a austeridade fiscal.

"É extremamente importante que as eleições de amanhã [domingo] na Grécia levem a um resultado no qual aqueles que formarão o governo digam: 'Sim, nós queremos manter os nossos compromissos'", afirmou a chanceler.

Já para Angel Gurria, diretor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o novo governo grego deveria ter uma chance de renegociar pelo menos parte do acordo de resgate.

"Se esta é a condição para que a Grécia fique [na zona do euro] e siga em diante, eu diria que é provavelmente algo que deveria ser tentado", afirmou Gurria.

Os dois principais políticos que eram vistos como favoritos nestas eleições – até a suspensão da divulgação de pesquisas de opinião – disseram que o pleito deste domingo é o sinal de uma nova era para a Grécia.

"Hoje o povo grego fala. Amanhã uma nova era começa para a Grécia", disse o líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, ao votar neste domingo. O economista, que já foi ministro das Relações Exteriores nos anos 90, foi contra o primeiro pacote de resgate, mas mudou de opinião diante do segundo acordo.

"Nós conquistamos o medo. Hoje nós abrimos o caminho para a esperança", disse o líder Alexis Tsipras, do partido esquerdista Syriza, ao depositar o seu voto. Sua sigla defende o fim imediato das medidas de austeridade, mas prega que a Grécia deve permanecer na zona do euro.

*Com BBC

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