Mesmo selecionados, jovens alunos ainda estão em busca de recursos para bancar os estudos lá fora; doações podem ser feitas pela internet em página criada para a "vaquinha" online

Estudantes brasileiros foram selecionados por algumas das melhores universidades dos EUA
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Estudantes brasileiros foram selecionados por algumas das melhores universidades dos EUA

A estudante de Campinas (SP) Andréia Sales tem apenas 17 anos e já ganhou um prêmio pelo romance O Cântaro de Prata , recentemente publicado no País. Já Caio Silveira , 18 anos, residente em Jacareí (SP), foi homenageado na Índia pelo seu desempenho em uma competição internacional sobre habilidades mentais. E o carioca Pedro Paulo , 19, já conquistou mais de 15 prêmios em Olimpíadas de Astronomia, Matemática, Física, Química, Oceanografia e Robótica.

Além do reconhecimento de terceiros, todos esses jovens estudantes têm outro ponto em comum: sonham em fazer a graduação no exterior. Com eles, mais 14 estudantes fazem parte da leva mais recente de alunos com potencial acadêmico e pessoal que foram recentemente aceitos por algumas das melhores universidades lá fora.

Assista aos vídeos dos candidatos selecionados: 

E se o esforço para conquistar tamanhos méritos já foi grande, a batalha para ser um dos selecionados por instituições de prestígio foi ainda maior. Isso porque não é fácil cursar uma faculdade no exterior. Para garantir o ingresso em uma universidade lá fora, é preciso se submeter a um processo exigente e totalmente diferente do brasileiro - baseado unicamente em provas como a da Fuvest ou do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Para estudar nas universidades gringas, os brasileiros precisam se submeter a uma série de testes de conhecimentos, provas de inglês e entrevistas. Eles precisam também preparar redações pessoais e ter cartas de recomendação de terceiros.

Os candidatos ainda devem ter um histórico acadêmico de destaque. Sem falar no diferencial que precisam possuir em termos de atividades extra-curriculares. Por fim, também conta na avaliação a presença de certos traços de personalidade, como determinação e resiliência.

Mesmo com tamanhas exigências, nada disso foi capaz de deter essa leva de jovens brasileiros. No entanto, mesmo sendo aceito pelas instituições estrangeiras, os alunos ainda estão em busca de recursos para bancar os estudos lá fora. Isso porque, diferentemente do Brasil, nas universidades do exterior - inclusive nas públicas -, o estudante precisa pagar pelo ensino. Um ano de faculdade pode chegar a custar cerca de R$ 150 mil.

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Assim, para apoiar o sonho dos alunos já selecionados, a Fundação Estudar - especializada na preparação de candidatos interessados em estudar no exterior -, em parceria com o site Benfeitoria , lançaram uma campanha de financiamento coletivo ( crowdfunding ) para auxiliar os estudantes na captação de recursos.  

"Felizmente, cada vez mais estudantes estão se abrindo para a possibilidade de estudar no exterior. Mas o dinheiro ainda é um grande desafio para ampliar esse número", afirma Renata Moraes, gerente de educação da Fundação Estudar.

Segundo o Instituto Internacional de Educação, de 2012 para 2013, aumentou em 20% o número de brasileiros fazendo a graduação nos Estados Unidos. O programa Ciência Sem Fronteiras (CsF) – iniciativa federal que concede bolsas a universitários brasileiros – é a principal justificativa para esse aumento no número de intercambistas no exterior.

Contudo, o estudante do CsF, que já é universitário, não precisa se submeter à seleção regular que é feita para os demais estudantes fora do programa.

Leia todas as reportagens da série:
´Ciência com Fronteiras´: os entraves à internacionalização da graduação do País

O fato é que, mesmo com esse aumento de 20%, a quantidade de estudantes brasileiros ainda é pequena quando comparada à presença de alunos de outras nacionalidades, especialmente os asiáticos. Enquanto os alunos do Brasil representam pouco mais de 1% do quantitativo total de alunos estrangeiros nos EUA, os chineses são 30%.

Larissa foi seleciona para estudar em Columbia; ela quer voltar ao Brasil depois dos estudos
Thinkstock/Getty Images
Larissa foi seleciona para estudar em Columbia; ela quer voltar ao Brasil depois dos estudos

Assim, a conquista de uma vaga nos EUA já representa uma vitória para o aluno brasileiro. A estudante de Brasília, Larissa Guimarães é uma prova disso. A jovem de 17 anos foi selecionada para estudar na Universidade Columbia, uma das melhores dos EUA. "Lá, eles aceitam apenas 7% de todos os candidatos que tentam uma vaga", diz Larissa. A estudante precisa de R$ 25 mil reais para bancar o primeiro ano de faculdade.

Pelo portal do Benfeitoria, qualquer pessoa pode contribuir por meio de doações eletrônicas com os recursos que ainda faltam ser arrecadados para que os alunos possam, de fato, garantir a vaga e começar os estudos no exterior. Não há valor mínimo de doação. O prazo final é o dia 15 de julho. Para saber como doar, basta acessar a galeria de vídeos acima e clicar no link para mais informações sobre cada um dos participantes.

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Ex-alunos do ITA e USP criam plataforma para mapear 'gênios' de escolas públicas

O carioca Luiz Fernado foi selecionado para estudar no Instituto de Tecnologia da Flórida
Arquivo pessoal
O carioca Luiz Fernado foi selecionado para estudar no Instituto de Tecnologia da Flórida

Do Méier para a NASA

Desde pequeno, o morador da zona norte do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Leal Gomes , sonhava com o céu. "Sempre quis ser piloto de caça, mas desenvolvi uma miopia e um piloto não pode ser míope. Ainda tentei fazer cirurgia, mas o médico recomendou que eu não fizesse", relembra Gomes, hoje com 20 anos.

Tal situação, no entanto, não afastou o jovem de sua paixão. "No ensino médio, comecei a desenvolver o meu interesse por pesquisas científicas sobre robótica e física. Mas o que me cativou mesmo foi a astronomia", diz o carioca, que cursou o ensino médio no Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ).

Se o amor pelo tema já era declarado, a ideia de encará-lo como objetivo de vida foi sedimentada a partir de um encontro marcante. "Após ganhar a medalha de outro nas Olimpíadas de Astronomia, fui selecionado para participar da Jornada Espacial [evento realizado pela Agência Espacial Brasileira]. Lá pude conhecer Marcos Pontes [primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço]. Foi ele quem me motivou a ir atrás do meu sonho de estudar lá fora", fala Luiz.

E o incentivo não poderia ter sido mais estimulante. "Ele falou que confiava em mim e que via na minha trajetória um futuro brilhante. E também que trabalharíamos juntos na NASA [a agência espacial americana]", lembra o jovem.

Com a autoestima calibrada, Gomes precisava enfrentar os desafios mais práticos. E o pior deles era aprender o inglês. "Se eu queria estudar nos EUA, precisava dominar o idioma. E, graças a Deus e à minha determinação, consegui aprender inglês em dois anos e meio", diz.

Luiz quer cursar engenharia aeroespacial no Instituto de Tecnologia da Flórida
Divulgação/FIT
Luiz quer cursar engenharia aeroespacial no Instituto de Tecnologia da Flórida

Com a língua estrangeira na ponta da língua, era preciso ainda enfrentar um batalhão de concorrentes: cerca de 8 mil candidatos para o curso que pretendia estudar no Instituto de Tecnologia da Flórida.

"O curso de engenharia aeroespacial de lá é um dos melhores do mundo. O bom é que a universidade recebe investimentos diretos da NASA e de outras empresas do ramo aeroespacial. Além disso, fica relativamente próximo da agência americana", fala.

Luiz, então, encontrou uma outra maneira de voar. "Meu mundo caiu quando descobri que não podia ser piloto de caça, mas agora já quero almejar voos maiores. Quero construir as próximas espaçonaves que levarão os seres humanos cada vez mais longe pelas órbitas siderais", diz o estudante.

Só falta conseguir os R$ 30 mil necessários para garantir o seu ingresso na instituição americana. "Na minha campanha de mobilização pelo crowdfunding , só consegui arrecadar R$ 7.180 reais. Até o dia 15 de julho, preciso bater a meta de R$ 30 mil para garantir meu primeiro ano de faculdade. Já a partir do segundo ano, poderei trabalhar, o que vai facilitar o financiamento dos outros anos de estudo", diz o jovem. [ para doar clique aqui ]

Enquanto espera alcançar a soma, Luiz não deixa de ajudar outros alunos de escolas públicas que, como ele, também sonham em estudar no exterior.

"Essa questão de estudar fora para nós é muito nova. Tento mostrar para eles que não são apenas os alunos de escolas de elite do Rio e de São Paulo que são capazes de conseguir isso. Assim, já posso dizer que ano que vem haverá surpresas. Estou sendo tutor de dois alunos do Cefet de muito potencial”.

Tais trabalhos de tutoria e orientação de outros alunos é um dos diferenciais do estudante, visto pela família, desde sempre, como um garoto esforçado.

"Se tenho um sonho, corro atrás até conseguir alcançá-lo. Nós criamos nossos potenciais. O céu, que sempre foi minha paixão, é o limite que quero agora ultrapassar", fala o jovem.

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