"Missão Madrinha de Casamento" une humor desbocado e espírito feminino

Comédia tira sarro da indústria matrimonial, mas mantém pé nos filmes que as mulheres gostam

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Uma das maiores surpresas nas bilheterias em 2011, junto com "Os Smurfs" , "Missão Madrinha de Casamento" coroa um ano de ouro para as mulheres nas comédias de Hollywood. Seguindo o exemplo do entretenimento exclusivamente masculino, liderado por "Se Beber, Não Case" , elas enveredaram pelo terreno do humor adulto, com piadas non-stop, escatologia e linguagem desbocada. A diferença é que, ainda assim, "Missão Madrinha" manteve o espírito das produções femininas – criou um híbrido entre comédia e "chick flicks", os filmes regados a amor e romance que elas adoram. Funciona como se fosse uma comédia romântica distorcida e, por isso mesmo, deliciosa.

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Elenco de "Missão Madrinha de Casamento": mulheres protagonizam a ótima comédia de humor desbocado
Foi a chance de Kristen Wiig ter seu primeiro papel como protagonista. Egressa do programa "Saturday Night Live", assim como a colega Maya Rudolph, Wiig teve participações discretas em filmes como "MacGruber" e "Férias Frustradas de Verão", mas a amizade com o produtor e diretor Judd Apatow ("Ligeiramente Grávidos", "Superbad - É Hoje", "O Virgem de 40 Anos") foi o que lhe deu a chance do estrelato.

Também roteirista, Wiig é uma comediante muito talentosa. Além de caras e bocas, tem timing preciso e repertório variado – imita desde Hitler a um pênis (isso mesmo). Vê-la, então, lado a lado com Rudolph, com quem dividia esquetes no "SNL", é um prazer. Essa intimidade e vivência foi todinha repassada para as telas.

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Maya Rudolph e Kristen Wiig: intimidade e vivência das comediantes foi repassada para as telas
As duas interpretam Annie (Wiig) e Lillian (Rudolph), melhores amigas desde a infância, numa relação pautada pelo humor (nenhuma surpresa) e sinceridade. Dona de uma confeitaria falida e abandonada pelo namorado, Annie tem um emprego miserável, um amante canalha (Jon Hamm, de "Mad Men"), auto-estima abaixo do joelho e é obrigada a dividir o apartamento com um excêntrico casal de irmãos ingleses. Lillian também anda preocupada com o namorado – "ele não para de me chamar de 'cara'", confessa –, mas era tudo disfarce para um pedido de casamento.

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Annie, claro, acaba escolhida como madrinha-de-honra, responsável por ser o braço-direito da noiva, prestando assistência na cerimônia, organizando o chá de panela, a despedida de solteira e toda uma relação infindável de tarefas. No auge da carência e de bolsos vazios, não era muito bem o que ela queria.

A lista de madrinhas é completada por uma recém-casada fanática pela Disney, uma mãe de três garotos impossíveis e pela rechonchuda cunhada da noiva (Melissa McCarthy), que rouba todas as cenas em que aparece. O conflito surge na forma de Helena (Rose Byrne), ricaça artificial que é a cara de Céline Dion, disposta a tomar tanto o posto de melhor amiga de Lillian quanto de madrinha-de-honra.

Incansável, "Missão Madrinha de Casamento" não deixa a bola cair, jogando as piadas de um lado para o outro sem parar. O roteiro escrito por Wiig e Annie Mumolo – que faz uma ponta numa viagem de avião – se apoia na comédia de erros, em flatulência e coisas piores (graças a uma churrascaria brasileira com sotaque hispânico) e também, sua parte mais valiosa, no dia-a-dia feminino.

O pulo do gato não é só tirar sarro da indústria do casamento e da insegurança da mulher, que chega ao cúmulo de sair da cama de mansinho para se maquiar e fazer de conta que acorda esplendorosa. Por trás das risadas, está a história de uma forte amizade e a expectativa para o romance entre Annie e o policial Rhodes (Chris O'Dowd). No fim das contas, o típico filme de Judd Apatow, com casca de humor desconcertante e polpa politicamente correta.

O que, no caso de "Missão Madrinha de Casamento", funciona sem problemas, pelo talento das atrizes e honestidade dos personagens. Difícil não se envolver e torcer junto com eles. E rir, rir muito. Que a patente dessa invenção seja de domínio público.

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