Martin Scorsese mostra excessos do mercado financeiro em "O Lobo de Wall Street"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Indicado em cinco categorias no Oscar 2014, filme é a quinta parceria do cineasta com o ator Leonardo DiCaprio

As cinco indicações ao Oscar de "O Lobo de Wall Street" mostram que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas abraçou o novo filme de Martin Scorsese apesar das muitas cenas de sexo e drogas e do acirrado debate sobre se o diretor condena ou glamouriza os excessos do mercado financeiro.

Excesso, aliás, é a característica mais marcante de "O Lobo de Wall Street", que estreia nesta sexta-feira (24) no Brasil. Versão para o cinema das memórias de Jordan Belfort, corretor da Bolsa de Valores de Nova York condenado à prisão por fraudes financeiras, o filme tem três horas de duração, recorde de uso da palavra "fuck" (506 vezes, ou 2,81 "fucks" por minuto), câmera frenética e a mais exagerada atuação da carreira de Leonardo DiCaprio - é a quinta parceria entre o ator e Scorsese.

Mais: Economista comenta mitos e verdades de "O Lobo de Wall Street"

Cena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'O Lobo de Wall Street'. Foto: Divulgação

Em "O Lobo de Wall Street", é o protagonista quem conta sua própria história, às vezes falando diretamente para a câmera. Belfort chega a Wall Street como um zé ninguém, consegue um emprego de corretor e começa a sonhar alto. No fim dos anos 1980, constrói um império com a corretora Stratton Oakmont, cujo negócio é vender promessas de lucro fácil e manipular ações, entre outras práticas ilegais.

Detalhar os golpes de Belfort não é a prioridade de Scorsese, que está mais interessado em seu estilo de vida extravagante. Viciado em poder, dinheiro e drogas, ele é casado com a estonteante Naomi (Margot Robbie, australiana que chamou a atenção de Hollywood no papel), mas não vive sem garotas de programa.

Siga o iG Cultura no Twitter

O escritório da Stratton é um misto de hospício e bordel, no qual funcionários usam cocaína e todo tipo de pílulas, fazem sexo com prostitutas e participam de brincadeiras tão estapafúrdias quanto atirar anões em tábuas de tiro ao alvo.

AP
O diretor Martin Scorsese e o ator Leonardo DiCaprio: cinco filmes juntos

No comando do circo está Belfort, um verdadeiro showman que sabe usar o microfone para elevar ainda mais a ganância e a ambição de sua equipe. Não por acaso, é disso que o verdadeiro Belfort vive hoje em dia: palestras motivacionais com base no best-seller que escreveu depois de sair da prisão.

O fato de o corretor não ter se dado totalmente mal no fim da história, associado ao tom cômico de "O Lobo de Wall Street", pode colaborar para a sensação de que o filme de Scorsese celebra demais um criminoso financeiro no momento em que os Estados Unidos enfrentam gigantescos desafios econômicos e Wall Street é vista com maus olhos por grande parte da população.

Um diretor menos talentoso e mais óbvio talvez incluísse um personagem que condenasse Belfort de forma explícita, oferecendo os julgamentos moralizantes típicos de Hollywood. Scorsese deixa que o público bata o martelo, mas mostra, cena após cena, toda a vulgaridade e infantilidade de Belfort e seus companheiros, homens tão desprovidos de qualquer traço admirável que dificilmente poderiam ser chamados por qualquer um de vencedores.

Entrevista: "Scorsese gosta de lidar com violência", diz Richard Schickel

A intenção do diretor parece ser a de incomodar e cansar o público com os excessos de Belfort - um cansaço que, infelizmente, acaba contaminando a produção. Diferentemente de outros filmes de Scorsese (como "Cassino" e "Os Bons Companheiros"), em "O Lobo de Wall Street" a longa duração de fato é um problema. São tantas festas, mulheres, mansões, carros luxuosos e iates que um espectador desavisado pode achar que está assistindo DiCaprio em "O Grande Gatsby", filme dirigido pelo rei da mão pesada do cinema, Baz Luhrmann.

Não é difícil notar sequências nas quais Scorsese e sua fiel editora, Thelma Schoonmaker, poderiam ter passado a tesoura. Um discurso a menos, um gasto exorbitante a menos, uma noitada a menos e uma prostituta a menos não teriam atrapalhado em nada a construção do personagem ou o andamento do roteiro, mas contribuiriam para tirar a sensação de que "O Lobo de Wall Street" gasta muito tempo reforçando a mesma ideia: Belfort tinha dinheiro, mas não tinha limites.

Veja o trailer de "O Lobo de Wall Street":


compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas