Diretor de "2 Coelhos" acerta refilmagem e estreia em Hollywood

Afonso Poyart vende direitos para remake do filme e negocia primeiro projeto nos EUA

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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O diretor Afonso Poyart: rumo aos EUA
Quando "2 Coelhos" entrou em cartaz em janeiro, muita gente tinha esperança que o filme se tornasse um sucesso de público. Afinal de contas, não é todo dia que aparece um longa de ação brasileiro, conduzido por efeitos especiais de qualidade e muitas referências pop. A recepção nas bilheterias não foi das melhores (menos de 300 mil espectadores), mas a produção serviu como cartão de visitas para que o diretor Afonso Poyart abrisse as portas douradas de Hollywood.

Poyart, de 33 anos, não só vendeu os direitos para uma refilmagem norte-americana de "2 Coelhos" como está prestes a fechar um contrato para dirigir seu primeiros filme nos Estados Unidos, por um grande estúdio.

Em entrevista ao iG , recém-chegado de Los Angeles, Afonso Poyart conta que o interesse surgiu de um agente norte-americano, Brent Travers, famoso por representar artistas brasileiros em Hollywood – Wagner Moura, Tainá Müller, Karim Aïnouz, Cléo Pires e Rafinha Bastos estão entre os "agenciados" pelo produtor.

No Brasil, Travers assistiu a "2 Coelhos" no cinema e, impressionado, foi atrás de Poyart e decretou: "você tem que ir para os EUA". Animado, o brasileiro gostou da ideia e fechou contrato com a United Talents Agency, a mesma do produtor Rodrigo Teixeira – que, aliás, já havia adiantado ao iG a possibilidade de Poyart migrar para Hollywood.

"A partir disso, comecei a ser vendido no mercado de lá, como diretor. Mas como o filme foi muito mostrado, as pessoas que gostaram começaram a pensar, 'por que não fazer um remake?'"

Depois de analisar propostas de três interessados, Poyart assinou com a Tango Pictures, produtora novata, mas de profissionais experientes no mercado. O cineasta, no entanto, só vai ganhar um crédito de produtor executivo na refilmagem.

"Não queria dirigir o filme de novo. Posso ser consultado na escolha do diretor, do roteirista, mas não tenho envolvimento artístico nenhum", afirma Poyart, que tem garantida uma participação nos lucros se o projeto avançar.

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Alessandra Negrini em "2 Coelhos": ação e efeitos especiais
Ao mesmo tempo, o brasileiro fazia reunião atrás de reunião em Los Angeles. Encontrou produtores de todos os grandes estúdios – Fox, Paramount, Dreamworks, Warner Bros, New Line – e recebeu dezenas de roteiros. Entre eles, o longa-metragem para a série "24 Horas" e a adaptação para o cinema do jogo "Need for Speed".

"No momento, estou praticamente fechado num projeto para rodar no ano que vem. É um filme com visual, não é ação explícita, uma mistura com coisas surreais. Tem um orçamento gigante, com um ator muito conhecido."

Poyart diz que sempre quis trabalhar em Hollywood, mas não imaginava que fosse "acontecer tão cedo". Segundo ele, Hollywood tem um interesse muito grande por diretores estrangeiros. Quanto à falta de liberdade explicitada por Heitor Dhalia , que teve problemas com seu produtor ao filmar "12 Horas" , levanta a possibilidade de "escolhas erradas".

"Ouvi histórias de todos os tipos, do produtor mandar em tudo até do estúdio 'filmmaker friendly' (amigável para o realizador)", defende o brasileiro. "Encontrei lá o (José) Padilha (que está trabalhando na nova versão de 'Robocop') e ele está tendo uma relação boa com a MGM, mesmo tendo um ponto de vista forte. Com certeza não é simples. É uma indústria, bem diferente do Brasil. São milhões e milhões de dólares em jogo. O objetivo é primeiro ganhar dinheiro e de repente fazer um bom filme. Ninguém quer perder."

Mesmo assim, Poyart garante estar satisfeito com o rumo das negociações com o estúdio envolvido em seu projeto. "Eles tem uma reputação de ser muito voltados ao diretor e conto com um ator generoso, bacana. Isso norteou a escolha, achar um projeto em que nao acontecesse essa frustação."

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