Pesquisador tenta desvendar maldição de 2 mil anos

Inscrição em tábua de chumbo encontrada em Antioquia invoca deuses para punir verdureiro

The New York Times |

Alexander Hollman via The New York Times
Um lado da tábua pede a prisão de Bábilas; o outro ladopede que a tábua seja derrubada em poço
Um vendedor de legumes chamado Bábilas foi alvo de uma maldição assustadora quase dois mil anos atrás. Escrita em uma tábua de chumbo encontrada em Antioquia, uma das maiores cidades do Império Romano, a maldição invoca os deuses para afligir o desafortunado verdureiro e, em seguida, "afogar e congelar" sua alma.

A maldição é descrita no periódico alemão Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik ("Revista de Papirologia e Epigrafia") por Alexander Hollmann, classicista da Universidade de Washington que estuda magia grega e romana.

A maldição estava escrita em ambos os lados da tábua. Um lado convoca o deus Iao a prender Bábilas; o outro lado, que se reporta a vários deuses, pede que a tábua seja derrubada e "exterminada" em um poço - seguida, da mesma forma, por Bábilas.

"Isso também mostra onde ele vive", disse Hollmann. "Tudo é concebido para que os deuses saibam exatamente onde encontrá-lo".

Embora o autor da maldição não seja mencionado nos escritos, Hollmann levanta a hipótese de que ele possa ter sido um comerciante rival.

"Essa é uma maldição muito sério", disse ele. "E temos outras evidências de que esse tipo de prática continuou".

A tábua foi encontrada em um poço na década de 1930, provavelmente a mesma época em que foi jogada dentro dele. Desde então, juntamente com muitos outros itens escavados em Antioquia, que fica perto da fronteira da Turquia com a Síria, a tábua está sob os auspícios do Museu de Arte da Universidade Princeton.

Tábuas com maldições, como essa, apareceram em Roma, em Cartago, na África e em toda a região do Mediterrâneo antigo, contou Hollmann, que já decifrou outra semelhante, vinda de Antioquia, e está trabalhando em outras seis.

"Elas são bastante parecidas porque os profissionais usavam livros mágicos que circulavam", disse ele. "Eles tinham modelos que foram usados por centenas de anos".

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