Viagem a Marte pode causar danos no cérebro, indica estudo

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Após testes, cientistas concluíram que exposição prolongada a raios cósmicos pode causar inflamações e gerar várias sequelas

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A lista de possíveis problemas a serem enfrentados pelos astronautas pioneiros de missões a Marte ganhou mais um item: o de estragos no cérebro. 

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Uma viagem para Marte teria a duração de pelo menos nove meses
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Uma viagem para Marte teria a duração de pelo menos nove meses

Um estudo da Universidade da Califórnia, divulgado na revista Science Advances, sugere que a longa exposição a raios cósmicos pode causar danos significativos ao sistema nervoso central, resultando em sequelas semelhantes às sofridas por pessoas com demência.

Raios cósmicos são formados por partículas de alta energia originadas no espaço e que viajam quase que na velocidade da luz.

Cientistas acreditam que uma viagem a Marte, distante cerca de 226 milhões de quilômetros da Terra, duraria pelo menos nove meses. E os danos cerebrais poderiam ocorrer já durante a viagem.

"Isso não é uma boa notícia para os astronautas que poderão ser escolhidos uma missão a Marte. Deficits de memória e a diminuição de atividades cerebrais, por exemplo, poderão afetar partes críticas da missão. E a exposição às partículas poderá provocar problemas cognitivos para o resto da vida", afirma Charles Limoli, coordenador do estudo.

Proteção impossível

A equipe de Limoli fez testes com ratos, submetendo-os a sessões de irradiação num laboratório da Agência Espacial Americana (NASA) especializado em estudos com raios cósmicos.

A exposição a determinadas partículas resultou em inflamações no cérebro que dificultaram a transmissão de sinais pelos neurônios. Tomografias computadorizadas mostraram que a rede de comunicação cerebral foi prejudicada por danos a células nervosas chamadas dendritos - alterações que contribuíram para a redução de desempenho dos ratos em atividades ligadas ao conhecimento e à memória.

Veja imagens do planeta vermelho

Marte sempre despertou interesse. A 1ª missão bem sucedida foi a 'Mariner 4', que sobrevoou o planeta em 1965. Na foto, dunas criam um desenho que parece uma tatuagem. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaFoto mostra camadas de diferentes tonalidades. No entanto, se você estivesse em Marte, talvez enxergasse outras cores nesta paisagem. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaMarte tem este nome em homenagem ao deus romano da guerra. Planeta tem coloração avermelhada por causa da alta concentração de óxido de ferro. No centro da fot. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaImagem mostra nuvens de poeira causadas por avalanche. Gelo de dióxido de carbono caiu de precipício de 2 mil metros e, provavelmente, foi derretido por raios de sol. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaNo polo sul do planeta vermelho, a paisagem é branca. Com temperaturas extremamente baixas, as extremidades do planeta são cobertas de gelo. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaImagem aérea se assemelha a veias e artérias. Cientistas acreditam que paisagem pode ter sido criada por água em estado líquido há milhões de anos atrás em Marte. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaA cratera de Victoria foi explorada por uma outra missão da Nasa. A 'Opportunity' passou cerca de dois anos, entre 2006 e 2008, coletando informações nesta região. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaAs nuvens são de uma tempestade de areia em Marte. Cientistas estudaram este tipo de fenômeno para determinar o melhor local e a forma ideal de pouso do Curiosity. Foto:  NASA/JPL-Caltech/MSSSA foto mostra, delineado com um círculo preto, o local de pouso do jipe-robô 'Curiosity' nas proximidades da cratera de Gale. Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSSNa foto, uma simulação de como foi o pouso do 'Curiosity' em Marte. Uma espaçonave amorteceu a decida do jipe-robô ao solo marciano. Foto: NasaAs primeiras imagens enviadas pela "Curiosity" foram assim, em preto e branco. Na foto grande-angular, é possível ver a sombra do próprio jipe-robô. Foto: Nasa/JPL-CaltechO Curiosity deve explorar Marte por pelo menos dez anos. Equipado com câmera capaz de identificar a composição de rochas, o jipe-robô tem geradores de plutônio capazes de fornecer energia por 14 anos. Foto: AP

Tipos semelhantes de disfunções cognitivas são comuns em pacientes com câncer de cérebro que receberam tratamentos à base de radiação de prótons.

Segundo Limoli, defeitos cognitivos nos astronautas demorariam meses para se manifestar, mas o tempo de viagem para Marte seria suficiente para isso. O cientista ressaltou ainda que, embora os astronautas trabalhando na Estação Espacial Internacional por longos períodos também sejam atingidos por raios cósmicos, a intensidade do "bombardeio" é menor e eles ainda contam com um pouco de proteção da magnetosfera terrestre.

O estudo da Universidade da Califórnia faz parte de um programa da Nasa que procura entender os efeitos da radiação espacial em astronautas e possíveis maneiras de mitigá-los.

Limoli sugere que a cápsula que levará os astronautas à Marte tenha escudos de proteção contra radiação mais reforçados em áreas usadas para descansar e dormir. No entanto, não existe proteção total contra as partículas.

Outra solução podem ser tratamentos preventivos para os astronautas, incluindo o uso de novas drogas. "Mas as pesquisas ainda estão em desenvolvimento", explica o cientista.

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