Explosão estelar iluminará o céu nas próximas semanas

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Explosão será na Galáxia do Charuto; observação poderá ser feita com telescópios domésticos ou até binóculos

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Uma explosão estelar excepcionalmente próxima da Terra vai iluminar o céu nas próximas semanas. A explosão da supernova será na Galáxia do Charuto, chamada assim por causa de seu formato. O local fica a cerca de 12 milhões de anos-luz da Terra e oferecerá uma oportunidade única para se estudar uma supernova.

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2011: Nasa captura cores de explosão estelar

As imagens mais marcantes do espaço em 2013:

Imagem, obtida com o Very Large Telescope do ESO, mostra a galáxia NGC 1187. Foto: ESOO brilho intenso da Nebulosa da Gaivota é causado pela radiação de uma estrela jovem e quente situada no centro da galáxia. Foto: ESOImagem de Saturno feita pela sonda Cassini. Pesquisa seguirá até ao menos 2017. Foto: NasaTelescópio ALMA, no deserto do Atacama (chile) capta estrutura em espiral ao redor da estrela R Sculptoris. Foto: ESO/Joseph DePasqualeIlustração mostra o material ejetado do buraco negro no quasar SDSS J1106+1939. Foto: ESO/L. CalçadaImagens de buracos negros na galáxia espiral IC 342 são mais vivas que de outros com tamanhos semelhantes
. Foto: NASA/JPL-Caltech/DSSSupernova Cassiopeia A, cuja imagem foi captada pelo NuSTAR, fica a 11 mil anos-luz da Terra
. Foto: NASA/JPL-Caltech/DSSNova imagem mostra a beleza das nuvens de poeira cósmica na região de Orion. Foto: ESOMenina de 12 anos manda boneca Hello Kitty para a estratosfera. Foto: tvigImagem do furacão gigante no Polo Norte de Saturno foi captada pela sonda Cassini. A foto foi colorida em computador. Foto: AP Photo/NASA/JPL-Caltech/SSI 'Fita' retorcida de gás frio e poeira na Via Láctea, com mais de 600 anos-luz de comprimento. Foto: ESA/NASA/JPL-Caltech/Hi-GAL Acima, o RCW 120, uma bolha de gás e poeira no espaço, em volta de uma grande estrela. Foto: ESA/SPIRE/PACS/HOBYS Galáxia de Andrômeda vista por dois telescópios: Herschel (em laranja) e Newton XMM (em azul). Foto: ESA/SPIRE/PACS/HELGA/EPIC/OMConstelação de Serpente vista pelos detectores infravermelhos do telescópio Herschel. Foto: ESA/Herschel/PACS/SPIRE/HOBYS ConsortiumVista infravermelha das nuvens de gás e poeira da constelação do Cisne, invisível a telescópios óticos. Foto: ESA/Herschel/PACS/SPIRE/HOBYS ConsortiumA nebulosa Laço de Cisne – resto de uma supernova  - que ocupa o três vezes o tamanho da lua cheia no céu. A nebulosa fica a 1500 anos luz da Terra.. Foto: NasaRiachos de água esverdeada correm pelo plataforma de gelo de Amery, na Antártida, nesta foto de satelite tirada em fevereiro. Foto: NASA/ESAO sistema estelar Eta Carinae se mostra com sue formato inusitado nessa imagem do telescópio Hubble.. Foto: NASA/ESAOs cosmonautas Oleg Kononenko e Anton Shkaplerov fazem uma caminhada espacial para manutenção da ISS em 16/02/2012. Foto: NASA/ESAEsta vista de cima do robô Opportunity mostra o equipamento coberto de poeira marciana. Foto: NASA/ESAUm filamento solar "escapa" do polo norte do Sol. nesta imagem ultravioleta . Foto: NASA/ESAEstrelas jovens são vistas na nebulosa de Órion. Foto: NASA/ESAVista detalhada do cluster de estrelas Messier 9, que fica a 25 mil anos-luz da Terra. Foto: NASA/ESAO cânion Ius Chasma, em Marte, tem 940 quilômetros de extensão. Foto: NASA/ESAFoto aérea, tirada pela ISS, mostra como a agricultura chegou ao norte do deserto da Árabia Saudita. Foto: NASA/ESAFoto de um astronauta da ISS mostra as luzes na região mediterrânea da Europa . Foto: NASA/ESALuzes de Dubai, pelo ponto de vista da Estação Espacial Internacional (ISS). Foto: NASA/ESARedemoinhos em Marte como o da foto podem ter até 10 km de altura. Foto: NASA/ESAO braço robótico e paineis solares da ISS se confundem com as luzes da Europa nesta foto tirada pela tripulação da estação. Foto: NASA/ESACrateras na região de Syrtis Major, que fica perto do equador de Marte . Foto: NASA/ESAA nebulosa NGC 3324 tem um formato peculiar, que segundo alguns, lembra o perfil da poeta chilena Gabriela Mistral. Foto: NASA/ESAAs diferentes cores da cratera Toro, em Marte, mostram a diversidade de minerais no solo do planeta. Foto: NASA/ESAEsta nova imagem do Hubble mostra uma reflexão da Via Láctea, a galáxia onde fica a Terra . Foto: NASA/ESANova imagem da lua Dione, feita pela sonda Cassini. Ela é uma das luas de Saturno. Foto: NASA/ESAO círculo no canto esquerdo inferior marca o ponto onde o jipe-robô Spirit chegou em Marte, em 2004. Foto: NASA/ESAUma tênue mancha vermelha no canto superior direito ajudou cientistas a identificar uma galáxia anã, a NGC 4449. Foto: NASA/ESAEsta imagem infravermelha é a mais detalhada já feita da Nebulosa Carina. Foto: NASA/ESAEsta erupção solar foi observada pela Nasa em janeiro de 2012. Foto: NASA/ESAOutra imagem da sonda Cassini mostra as luas Titãs e Reia, de Saturno, quase sobrepostas. Foto: NASA/ESAVista da cratera Kuiper, em Mercúrio, tirada pela sonda Messenger . Foto: NASA/ESAEstrelas se formam dentro da Nuvem Molecular de Touro, que parece uma cicatriz cortando o céu . Foto: NASA/ESALançamento do foguete Vega, da Agência Espacial Europeia, em fevereiro de 2012, na Guiana Francesa. Foto: NASA/ESA

A descoberta, no entanto, foi feita por acaso. Steve Fossey, um astrônomo do University College de Londres (UCL), da Grã-Bretanha, descobriu a supernova com um pequeno telescópio de 35 centímetros.

"Fazíamos uma observação há uma semana com estudantes do UCL e, em uma das imagens que conseguimos, de curta exposição, pudemos ver esse ponto brilhante de luz na imagem da galáxia. Imediatamente nos demos conta que isso era uma supernova, a explosão de uma estrela", disse Fossey à BBC.

Fossey consultou colegas de outros observatórios e confirmou a descoberta. A União Astronômica Internacional catalogou a supernova como SN2014J.

A supernova é tão brilhante que poderá ser vista com telescópios domésticos de boa qualidade ou até mesmo com binóculos, quando atingir o ponto máximo de seu brilho, algo que deve acontecer dentro de uma semana.

2012: Astrônomo amador descobre segunda explosão estrelar por acaso

Juntamente com observadores do mundo todo, Fossey se prepara para recolher informações e aprender tudo o que puder enquanto a supernova for visível no céu.

Oportunidade

O astrônomo explicou que esta galáxia "em particular é incomum e está muito próxima; uma supernova tão próxima como essa provavelmente acontece uma vez em décadas". "É uma oportunidade excelente para a frota de naves espaciais que temos e para os observatórios na Terra", acrescentou Fossey.

A supernova da Galáxia do Charuto, na constelação de Ursa Maior, permanecerá brilhante por cerca de um mês, e os cientistas querem aproveitar ao máximo a possibilidade de conhecer todos os segredos dessa galáxia.

UCL/University of London Observatory
Imagem mostra um ponto brilhante de luz na galáxia M 82 (UCL/University of London Observatory/Steve Fossey/Ian Howarth/Ben Cooke/Guy Pollack/Matthew Wilde/Thomas Wright)

"Um dos modelos aceitos é que ela tem o que chamamos de uma anã branca, que efetivamente é uma estrela como o Sol e que está na fase final de sua vida, inerte e quente, uma estrela que tem uma companheira binária, uma amiga, atraindo material dessa amiga e ficando maior e mais quente até que se detona a uma temperatura crítica e explode em pedaços", explicou o astrônomo.

"Com essas naves no espaço, podemos observar a onda expansiva desse material, dessa explosão, ao impactar no material que há a seu redor, incluindo sua companheira. E essa é a chave, precisamos compreender a companheira", acrescentou Fossey.

O cientista afirma que essa poderia ser uma estrela como o Sol ou esse poderia ser um outro tipo de evento espacial, que incluiria duas anãs brancas.

Para o cientista, compreender esses "estalos estelares" pode levar à resolução de outros mistérios, pois as "supernovas são faróis de luz".

Além de ajudar a compreender o processo de morte de uma estrela, as supernovas são muito importantes pela luminosidade, que permite medir com precisão as distâncias entre as galáxias do universo, disse Fossey.

O cientista afirmou que os astrônomos estão vivendo semanas de "atividade furiosa" com os instrumentos ópticos espaciais e terrestres apontando para a direção da galáxia, para acompanhar esse processo e conseguir toda a informação possível sobre o brilhante fim dessa estrela.

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